Os turistas brasileiros reduziram a procura por voos para dois destinos tradicionais, a Argentina e o Chile, no mês de novembro. Essa queda na demanda afetou o resultado da Gol no período, segundo divulgou a companhia aérea na sexta-feira (dia 6).

Por que o Chile e a Argentina foram destinos afetados? Os dois países enfrentam períodos de incertezas político-econômicas. O Chile teve diversos protestos populares nas últimas semanas, muitos dos quais terminaram em conflitos violentos, por causa da insatisfação da população com o governo.

A Argentina atravessa grave crise econômica, que acabou por levar o presidente Mauricio Macri a não conseguir a reeleição; ele será substituído a partir da próxima semana por Alberto Fernández, que era de oposição. Enquanto isso, o país entrou em recessão e o peso, a moeda local, sofreu forte desvalorização em relação ao dólar.

Além disso, os dois destinos foram impactados pela alta de quase 6% na cotação do dólar em relação ao real em novembro, o que encareceu as viagens de brasileiros para o exterior de modo geral.

Quais os números divulgados? A demanda em voos internacionais despencou 13,2% em novembro na comparação com o mesmo mês de 2018, enquanto a oferta de assentos caiu 9,3%. Isso resultou em uma queda de 76,1% para 72,8% na taxa de ocupação das aeronaves.

Esse indicador é um dos mais importantes para as companhias aéreas: quanto maior a ocupação de um voo por passageiros, maior a eficiência e o ganho — por outro lado, fazer um voo com baixa ocupação pode significar até prejuízo, uma vez que existem diversos custos fixos em uma viagem, como o de tripulantes.

A piora nos voos para o exterior impactou os resultados operacionais da Gol como um todo: a oferta total de assentos em novembro cresceu 6,4% ante o mesmo mês um ano antes; e a demanda aumentou 3,8%. Diante dessa equação, os passageiros preencheram 80,7% dos assentos disponíveis, abaixo dos 82,7% um ano antes.

(Com a Reuters)

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