Os outros e-commerces que se cuidem. A Via, dona das redes Casas Bahia, Pontofrio e Extra.com, entrou atrasada na guerra do marketplace. Mas agora quer mostrar ao mercado que não está de brincadeira quando diz que pretende liderar esse setor.

O primeiro passo da estratégia para conquistar essa posição, que hoje é ocupada pelo Mercado Livre, Americanas e Magazine Luiza, é ampliar o número de sellers (vendedores) que comercializam seus produtos no marketplace da Via. Em sete meses, esse número saltou de 10 mil para 100 mil, superando a meta que a companhia tinha para todo o ano de 2021.

“A Via é muito forte, mais forte do que a soma das expectativas que todos têm dela. O que fizemos de prospecção de seller em sete meses, outros levaram de 4 a 5 anos para conseguir”, diz Helisson Lemos, CINO (Chief Innovation Officer) e vice-presidente de marketplace da Via.

Segundo ele, o número de vendedores não para de crescer. Para manter essa base em expansão, a Via oferece uma série de vantagens aos sellers. A primeira delas é o incentivo financeiro: as vendas mensais de até R$ 50 mil estão isentas de comissão até o final do ano.

Estoque aberto para outros marketplaces

Mas a grande mudança no tratamento dado aos sellers começa a ser sentida a partir da virada do ano, com novas condições para armazenamento de produtos. Hoje, o lojista que vende para vários marketplaces tem dificuldade para usar o sistema de fulfillment (armazenar os produtos no centro de distribuição da marca) de todos eles.

A Via vai oferecer aos vendedores a opção de guardar o estoque e cuidar de todo o processo de logística de outros marketplaces. Ou seja, ela vai armazenar e entregar uma mercadoria vendida pelo concorrente para o seller.

“A gente tem uma mentalidade agnóstica de fazer negócio. Para ter uma operação fulfillment agnóstica, vamos operar o estoque do seller com produtos e pedidos gerados no nosso ambiente e em outros marketplaces. Queremos prestar um serviço”, conta o executivo.

O que a Via ganha com isso? Para começar, segundo Lemos, a consideração do seller. “É um desafio muito grande para o seller gerenciar estoques diferentes para diferentes marketplaces. Isso gera um custo muito alto, que o pequeno e médio empreendedor não consegue arcar.”

Centro de distribuição da Via de Jundiaí
Crédito: Divulgação

O que o seller ganha? Além de condições mais fáceis para gerenciar seu estoque e entregas, o lojista passa a contar com os 27 centros de distribuição e 1.050 lojas físicas da Via para guardar seus produtos. Poder deixar seu produto mais perto do cliente reduz o tempo de entrega, que pode ser decisivo no fechamento de uma venda.

“Temos mais de 2 milhões de metros quadrados de área estocável. Temos, de longe, a maior área de armazenamento do varejo brasileiro omnicanal. Aí, conseguimos operar a distribuição e a última milha. Ganha todo mundo, a entrega fica mais barata para o cliente e para o seller”, afirma Lemos.

Crediário para os clientes do seller

Se tem uma coisa da qual a Via se orgulha é do seu crediário. A empresa diz que foi a primeira a operar o festejado sistema buy now, pay later, que está despontando agora.

Hoje, esse crediário só pode ser usado nas vendas próprias da Via. Lemos diz que os vendedores do marketplace também poderão vender a prazo na virada do ano.

“Precisamos falar da realidade do brasileiro, que não é como pagar, mas com o que pagar. Hoje, de 60% a 70% das vendas com cartão são aprovadas. As outras 40% a 30% não passam porque o cliente não tem limite disponível”, diz Lemos.

Outra novidade, que deve ficar para o primeiro semestre de 2022, é oferecer crediário para pequenos e médios lojistas que vendem online. “Queremos oferecer o carnê para o site de nossos sellers e de outros operadores do varejo. É o que a gente chama de carnê as a service. Faz parte da nossa visão agnóstica de negócio”, afirma o CINO da Via.

O que está por trás dessa estratégia?

Ao ganhar mais sellers, a Via consegue vender em seu marketplace produtos que não fazem parte de seu estoque tradicional. Dessa forma, passa a ser opção de lugar compra para novos consumidores. No segundo semestre, as vendas do marketplace cresceram 85% em relação a igual período de 2021.

“Queremos aumentar o relacionamento com nossos clientes. O marketplace tem um papel importante que é oferecer um sortimento maior e assim conseguimos estar presentes mais vezes na vida do cliente. Quanto mais seller, quanto mais estoque tivermos, melhor será a experiência do cliente”, diz Lemos.

De março a setembro, o total de itens vendidos no marketplace passou de 3 milhões para 33 milhões. Entre os produtos inusitados que a Via vendeu nesse período está um trator.

“Agora que já equalizamos a capacidade de sortimento, buscaremos agora equalizar a demanda. Certamente, apresentaremos nos próximos resultados um diferencial importante. Essa demanda será equalizada pelo crédito, que é nossa vantagem estratégica”, disse Lemos.

Hellison Lemos, CINO e VP de marketplace da Via
Crédito: Divulgação

 

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