As orientações para que a população fique em casa intensificou a importância do uso da tecnologia. Do e-commerce aos serviços financeiros, passando por mais segurança e higiene no formato de compra e identificação.

Os produtos para idosos chamam atenção nesse cenário. Por serem do grupo de risco, parte dessa população perdeu o apoio presencial da família para gerir as finanças, fazer pagamentos e ter alguns suportes como compras em ambientes externos. O detalhe é que os 60+ formam um contingente de mais de 29 milhões de brasileiros, com acesso a crédito consignado e pensão. Em outras palavras, eles têm poder de compra e já movimentavam parte do mercado, como o 6 Minutos mostrou neste matéria sobre novos produtos, e neste outro, sobre o mercado de trabalho.

O cenário da pandemia ressalta a importância da criação de produtos que estimulem autonomia e segurança ao público mais velho. A análise é de Caroline Capitani, vice-presidente da Ilegra, empresa de design, inovação e software. Entre os clientes da empresa estão Bradesco, Cielo, SBT e Souza Cruz.

Veja o que tem espaço para mudar:

Soluções digitais terão telas maiores e com mais contraste

As telas de celular, tablet, computador, e o design dos aplicativos e sites devem ser mais inclusivos. Isso significa sensibilidade ao toque maior, cores com mais contraste para facilitar a visão e em caso de autenticação de senha, permitir um tempo maior para digitação. “As pessoas mais velhas não têm a mesma agilidade dos jovens para preencher cadastros e sistemas”, diz Caroline.

Novas ferramentas de orçamento e controle financeiro

Se antes da pandemia do coronavírus, filhos, netos ou sobrinhos ajudavam a controlar as contas da casa do idoso, na pandemia essa ajuda precisou ser à distância. E faltaram ferramentas. Nesse sentido, há mercado para criação de sistemas que permitam compartilhar o planejamento financeiro entre pessoas-have da família.

Alguns exemplos de solução nessa linha são o Cake e Everplans, que surgiram nos Estados Unidos.

O potencial das startups de especificar o produto

Startup tem um conceito de economia de inclusão”, lembra Caroline. É por isso que elas devem liderar o movimento de produtos mais específicos para o público idoso. As grandes empresas acabam priorizando a escalabilidade. Mas como cada público está sendo impactado de uma forma mais ou menos intensa, produtos direcionados podem ganhar forçar no pós-pandemia.

Menos contato, menos papel e menos toque

Caroline lembra que os idosos ainda precisam entregar muitos documentos, levam pedidos médicos para laboratórios, usam biometria. A frequência com que isso ocorre deve diminuir. “Para que usar biometria se pode usar reconhecimento facial?”, questiona a vice-presidente. Ela cita as tendências de redução de contato físico e circulação de papéis e documentos exigidos a idosos.

Mas há o desafio de como será a transformação. Afinal, para muita gente, o processo de digitalizar documentos, anexá-los e enviá-los ainda é complexo e trabalhoso.

Tutoriais digitais com outros idosos como professores

Isso também é inclusão. Quando dá a um idoso a função de explicar a outro, aumenta a inclusão porque eles têm uma linguagem comum. É mais interessante que um único tutorial para todo tipo de público.

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