Desde o início da pandemia do coronavírus, mais de 320 mil brasileiros perderam a cobertura do plano de saúde. A maioria deixou de ser beneficiário porque perdeu o emprego — os planos de saúde empresariais foram os que mais registraram saídas desde março. Apesar de trágico, esse é um quadro que não é exclusivo do período de pandemia. Desde 2014, mais de 3 milhões de brasileiros deixaram de ter atendimento na rede particular de convênios.

Obviamente, a saída do plano de saúde não significa que essas pessoas deixaram de necessitar de atendimento médico — seja ele emergencial ou de rotina. Para quem perdeu o benefício, a saída foi recorrer ao SUS (Sistema Único de Saúde) ou aos produtos privados não administrados por seguradoras. Nesse sentido, várias soluções surgiram: desde clínicas com preços menores, como o Dr. Consulta, até soluções ainda mais simples e baratas, como a da seguradora Ciclic.

“Sempre tivemos no radar o segmento de saúde, que é pouco atendido. O número de pessoas cobertas pelos convênios está caindo, então entendemos que não deveríamos entrar nessa guerra como um plano, e sim como uma alternativa”, conta Raphael Swierczynski, CEO da Ciclic.

Pode contar como funciona? A empresa, que é controlada pelas seguradoras BB Seguros, do Banco do Brasil, e Principal Financial Group (PFG), um grupo americano especializado em previdência, inicialmente ganhou terreno no mercado com o seguro-viagem e seguro-celular. Agora, a Ciclic está oferecendo dois tipos de coberturas de saúde.

Apesar de atender ao público que teve ou que gostaria de ter um convênio, a empresa se distancia do rótulo de plano de saúde. “Nosso produto não é um plano de saúde, porque se fosse seria tão caro quanto, mas ele cumpre boa parte do que o plano faz. É claro que não temos o mesmo nível de cobertura”, diz o presidente da empresa.

E quais coberturas são essas? São dois tipos de planos oferecidos. O primeiro custa R$ 29,90 por mês e oferece teleconsultas com médicos de clínica geral e pediatria 24 horas por dia, e também descontos em medicamentos nas farmácias.

“Muitas vezes esse médico da teleconsulta vai ajudar o paciente a ponto de ele não precisar de nenhum outro atendimento. Se ele está com um problema simples, o diagnóstico vai evitar que ele procure um hospital, ou até que ele fique pesquisando na internet o que tem. Ao invés de perguntar para o ‘Doutor Google’, esse paciente terá uma orientação correta”, explica o presidente da Ciclic.

O outro produto custa R$ 49,90 por mês e, além dos dois benefícios do primeiro plano, tem também descontos em consultas presenciais e exames de mais de 3.000 médicos especialistas e laboratórios conveniados pela Ciclic. Ao usar esse serviço, o cliente paga uma espécie de co-participação, que representa de 20% a 30% do valor usual do procedimento.

“Se o cliente precisar de um especialista, como um gastroenterologista ou um otorrino, ele pode agendar pelo telefone ou chat da central de atendimento. Ele mesmo pode escolher o laboratório ou clínica, entre os credenciados, ou pode só pedir que seja perto da casa dele. Nesse agendamento, ele também já sabe qual o valor que ele vai pagar para o médico ou laboratório”, conta Raphael.

Como a telemedicina funciona? Durante a pandemia, o Ministério da Saúde regulamentou o uso da telemedicina no Brasil. Antes bastante polêmico e restrito, o atendimento remoto passou a ser uma ferramenta importante das operadoras de saúde para evitar que os pacientes fossem a clínicas e hospitais sem necessidade, aumentando o risco de contaminação pela covid-19.

Foi com base nessa nova regulamentação que a Clinic passou a operar seus produtos. Por usar uma norma específica, as coberturas de saúde da empresa não são regulamentadas nem pela ANS (Agência Nacional de Saúde), que regula as operadoras de planos, e nem pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), que acompanha as seguradoras, e sim pelo próprio Ministério da Saúde.

“Nosso propósito é fazer atendimentos de baixa complexidade e preventivos. As consultas e exames representam a maior parte da frequência de uso de um plano de saúde. Além disso, nossos clientes são pessoas que já estavam considerando recorrer à rede pública. Então estamos tirando do SUS boa parte da carga de despesas, e com um custo bastante reduzido para o cliente”, diz Swierczynski.

Mas o médico pode diagnosticar e receitar? Sim. Durante a consulta por telemedicina, o médico pode prescrever medicamentos pela receita digital. Esse documento é aceito nas farmácias, inclusive para a compra de remédios de uso controlado, como os antibióticos. Já para os médicos conveniados, o atendimento funciona exatamente como em uma consulta particular.

E as emergências? Atendimentos emergenciais e de alta complexidade, como cirurgias e internações, não estão cobertos em nenhum dos produtos da empresa. Se o cliente estiver sendo atendido por um médico conveniado pela empresa e precisar de um atendimento desse tipo, ele deverá ser encaminhado para o SUS ou para um hospital particular.

Outras coberturas devem ser adicionadas aos produtos? O CEO conta que a empresa estuda trazer um terceiro plano, que ofereça algum tipo de cobertura para os casos mais críticos, que exigem atendimento mais complexo. No entanto, ainda assim não seria um produto tão completo quanto o de um plano de saúde tradicional.

“Se evoluirmos, nosso produto entraria na regulamentação de plano de saúde, que tem uma barreira enorme para os produtos individuais. Esses planos contratados por pessoas físicas estão cada vez mais raros por serem muito caros, especialmente para os mais velhos”, diz Raphael.

Outro plano da Ciclic é passar a oferecer seus produtos de saúde para pequenas empresas e microempreendedores individuais, que estão à margem dos planos, pois atuam informalmente. “Nos próximos 60 dias queremos lançar um produto para pessoas jurídicas, com foco em desde motoristas de aplicativos até pequenos negócios, com poucos funcionários. A ideia é oferecer a cobertura básica e agregar serviços de acompanhamento da saúde dos trabalhadores”, conta o CEO.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).