Você já ouviu falar em live commerce? É uma forma que as empresas encontraram para vender produtos e serviços pelas redes sociais. Se parece muito com a Polishop ou Shoptime, aqueles canais de TV em que os apresentadores passam o dia mostrando como funcionam eletrodomésticos e eletrônicos. A diferença é que nesse formato as mercadorias costumam ser apresentadas por famosos e a transmissão acontece pelo YouTube, Instagram, Facebook ou no site da marca.

Qual a vantagem do live commerce? Renato Mendes, professor do Insper, compara o live commerce com uma experiência em terceira dimensão. “O vídeo é muito mais rico. No e-commerce, a pessoa tem apenas a foto, preço e descrição do produto. No vídeo, tem uma pessoa vestindo o produto, dá para ver o caimento, saber se aquela peça combina com outra”, diz Mendes.

Já tem empresa brasileira fazendo isso? Sim, mas ainda são poucas. Na Black Friday do ano passado, o Magazine Luiza escalou Luciano Huck para apresentar um programa de venda de produtos ao vivo. Americanas, Carrefour e outras marcas fizeram a mesma coisa, mas com Felipe Neto.

Isso começou a aumentar na quarentena. Marcas como Farm, Magalu, Renner e Dengo (chocolate) recorreram ao live commerce. “Isso vai crescer muito mais daqui para a frente”, afirma o professor do Insper.

Papo de Parceiro Magalu

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Posted by Magazine Luiza on Tuesday, June 30, 2020

 

Por que o momento favorece o live commerce? A pandemia de coronavírus fez com que a pessoas ficassem mais tempo em casa para evitar a contaminação. Mesmo agora com a reabertura parcial do comércio, os consumidores ainda têm medo de sair às ruas. Por isso, o live commerce é uma alternativa eficiente de levar para casa do consumidor informações que ele só conseguiria na loja.

“Essa é uma iniciativa que funciona não só agora, mas também depois da pandemia. Não acredito que teremos uma diminuição da utilização dos canais digitais de relacionamento. Isso veio para ficar, pois aproxima a marca dos clientes, cria comunidades”, disse Jean Rebetez, sócio-diretor da Gouvêa Consulting.

Quais as características do live commerce? Mendes afirma que o live commerce se caracteriza pela combinação de quatro elementos que existem há tempos. A novidade é reunir tudo isso em um único local com a finalidade de vender.

  • Influenciador: grandes marcas escalam famosos para apresentar os produtos, pois traz tráfego e audiência para a transmissão.
  • Vídeo: a possibilidade de ver o produto, escutar especialistas, saber como ele funciona melhora a experiência de compra.
  • Elemento social: traz a possibilidade de as pessoas interagirem enquanto assistem. “É muito engraçado, pois elas ficam o tempo todo conversando”, diz o especialista.
  • Sensação de escassez: o público fica com a impressão de que precisa comprar naquela hora, pois vai perder a oportunidade de preço ou o produto vai acabar.

Qual a diferença disso com o que a Polishop ou Shoptime fazem? Funciona mais como uma combinação de Polishop com redes sociais e lives musicais. “O sucesso da Polishop pode ser explicado justamente pela demonstração de como os produtos funcionam, como devem ser utilizados, se o antiaderente é bom”, afirma Rebetez, da Gouvêa Consulting.

Qual o potencial disso? Mendes diz que o live commerce é uma febre na China, mercado que costuma servir de inspiração para varejistas brasileiros como Fred Trajano, presidente do Magazine Luiza. Na China, as lives de e-commerce movimentaram US$ 63 bilhões no ano passado, 10% de todo o e-comerce.

Como medir se as lives de e-commerce deram resultado? Rebetez diz que a ideia de resultado não pode considerar apenas o que foi vendido durante a live. Segundo ele, existem ganhos indiretos durante a transmissão, como ampliação do relacionamento com o cliente, que não geram vendas imediatas. “O ganho não acontece na hora, mas aí o cliente fica com a marca na memória, e quando precisar de um produto vai comprar daquela marca com quem tem mais confiança, afinidade e relacionamento”, diz o executivo.

Qual a diferença entre as lives chinesas e as brasileiras? Na China, segundo Mendes, as transmissões acontecem nos apps dos varejistas, de onde é possível fazer diretamente a compra e pagamento. No Brasil, os clientes têm que ler o QR Code do produto/empresa na tela e fechar o negócio em outro ambiente.

 

 

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