Empreender é um caminho cheio de desafios, mas você não precisa superá-los sozinho.

Para se manterem vivas e saudáveis até encontrar um modelo de negócios escalável, empresas realmente inovadoras, em estágio inicial, já operando, faturando e com alto potencial de expansão têm a possibilidade de contar com o apoio dos “investidores-anjo” – empresários e executivos que utilizam recursos próprios para aplicar em companhias promissoras e predominantemente digitais em troca de participação acionária.

“O valor dos ‘cheques’ costuma variar de R$ 100 mil a R$ 800 mil“, explica Thiago Oliveira, sócio e conselheiro da Bossa Nova Investimentos, empresa de micro venture capital que atualmente aposta em mais de 600 startups.  “E, diferentemente dos ‘ferozes tubarões’ representados em programas de reality, que ficam com percentuais de até 40% das empresas, na prática nossa fatia vai de 3% a 12%.”

Papel consultivo

Tão ou mais importante do que a questão monetária, porém, é o chamado smart money, isto é, a “inteligência” por trás do dinheiro, que corresponde à mentoria oferecida aos empreendedores para que tenham um apoio consultivo ao longo de sua jornada.

Fundador da Magic5, hub de integração e automação destinado a quem vende em múltiplos marketplaces, Cláudio Dias vem absorvendo ao máximo o vasto conhecimento de mercado e utilizando a valiosa rede de contatos de seus parceiros “angélicos” para geração de novas oportunidades de negócio desde que conquistou seu primeiro aporte de capital, cerca de dois anos atrás.

“Mergulhar no mundo do venture capital também foi fundamental para compreender a importância de manter um elevado nível de controle contábil e governança no negócio para seguir conseguindo injeções de capital e expandir as operações de forma acelerada”, diz Dias.

Com um valor de mercado cada vez maior, a Magis5 diz que está crescendo em média 10% ao mês desde que foi criada, há três anos, e conta hoje com quase 50 funcionários e aproximadamente 400 clientes.

Da captação-anjo para cá, já participou de outras duas rodadas de investimentos, sendo que a mais recente previu o recebimento de R$ 4 milhões. A preparação para o próximo round já começou e Dias espera conseguir um novo cheque de R$ 10 milhões daqui 18 meses, quando, de acordo com seu planejamento, precisará de mais recursos para continuar sua escalada.

Compreensão e acesso

Apesar do ganho de maturidade do mercado de ventures capital no Brasil e o aumento no número de unicórnios no país, para grande parte dos empreendedores o acesso a esse tipo de investimento ainda é difícil, principalmente por conta de sua falta de compreensão sobre o ecossistema.

Segundo uma recente pesquisa da Endeavor, patrocinada pela Ernst & Young e pela Anbima, 53% das scales-up têm pouco – ou muito pouco – conhecimento sobre o universo de capital de risco. Isso acaba por dificultar o acesso aos recursos, sobretudo em suas fases iniciais e de expansão, comprometendo o crescimento das startups no longo prazo.

Para ingressar no espaço celestial dos investidores anjo, em particular, é necessário submeter a eles uma série de informações e documentos relacionados ao seu negócio para uma prévia avaliação.

Dependendo do caso, o empreendedor é convidado a fazer uma apresentação breve e objetiva sobre a startup, o chamado pitch, a analistas e, em seguida, aos próprios investidores.

“Essa é a oportunidade que temos para conhecer os empreendedores e seus times, incluindo perfil e nível de interação e complementaridade entre eles, sem falar na sua sinergia conosco, os potenciais investidores”, afirma Oliveira, da Bossa Nova. “Afinal de contas, mais do que apostar em produtos ou serviços, apostamos nas pessoas.”

Ao passar pelo refinado crivo dos especialistas, é só aguardar a liberação do dinheiro, que deve ser usado exclusivamente para aporte da empresa – e não para comprar participação de outros investidores ou dos sócios, pagar dívidas pré-existentes e assim por diante.

E aí, disposto a levar sua empresa para o próximo nível?

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).