A notícia parece boa: o Brasil vai ganhar sua primeira montadora de patinetes elétricas. É a Drop, que começa na próxima semana a produzir esses equipamentos na Zona Franca de Manas (AM). Até então, os equipamentos em circulação no país – tanto nas lojas quanto os alugados por aplicativos – vinham todos montados da China.

O momento é que não parece o mais oportuno. A Grin, maior empresa de aluguel de patinetes, anunciou sua saída de 14 cidades do país. Duas semanas antes, a americana Lime comunicou que estava deixando de operar o serviço no Brasil.

A fábrica da Drop vai ter uma capacidade de produção de 120 mil unidades por ano. A pergunta que fica é: quem vai comprar essas patinetes em meio ao encolhimento brutal desse mercado?

Ricardo Ducco, diretor de marketing da Drop, contou para o 6 Minutos um pouco da estratégia da empresa para sobreviver em meio a esse cenário:

Entrada de novos players

Não é segredo para ninguém que existem outras empresas interessadas em explorar esse serviço. O caso mais conhecido é o da Uber, que aguarda desde setembro uma autorização da Prefeitura de São Paulo. Mas ela não é a única interessada. Por isso, apesar de as principais empresas de aluguel de patinetes darem sinais de perda de fôlego, a Drop diz que está em negociação com novos players desse mercado.

Custo menor para consumidor final

Ducco diz que a empresa vai oferecer uma patinete muito melhor que os modelos vendidos hoje no varejo por preços competitivos. O segredo, segundo ele, são as vantagens tributárias de montar o produto na Zona Franca de Manaus.

Em troca de colocar uma fábrica em operação, contratar funcionários e montar as patinetes no Brasil, ele ganha isenções que derrubam o preço do produto entre 30% a 40%.

Pelos seus cálculos, as patinetes chegarão ao varejo custando de R$ 2.990 a R$ 3.990, preço simular aos modelos atuais do mercado. A diferença, segundo ele, é a qualidade do equipamento.

“Nossas rodas são maiores, o que dá mais segurança e resistência. A autonomia da bateria é de 30 a 35 quilômetros, enquanto a das outras é de 12 quilômetros. Ou seja, dá para andar muito mais tempo na nossa sem ter que carregar a bateria de novo”, afirma.

Por isso, a expectativa é vender 13.000 patinetes por ano para o consumidor final e cerca de 100 mil para empresas que alugam esses equipamentos.

Ampliação dos pontos de venda e parcelamento

Hoje, a empresa tem 500 pontos de venda de patinetes no país. Mas está em negociação para ampliar essa quantidade em pouco tempo. O primeiro grande contrato é com a Centauro, mas outros varejistas importantes já estão conversando com a Drop.

Ducco diz que o custo do equipamento fica mais acessível nessas varejistas, pois elas permitem o parcelamento da compra em até 10 ou 12 vezes. “O consumidor percebe que é possível ter seu equipamento.”

Patinetes da Drop, primeira montadora desse equipamento no Brasil

Aposta na intermodalidade

A empresa diz que ao oferecer maior autonomia de bateria e um equipamento mais resistente, o consumidor passará a usá-lo nos deslocamentos diários até o trabalho: ir até o metrô de patinete, dobrá-lo, descer do metrô e seguir até o trabalho com ele.

Isso será possível, segundo Ducco, porque a patinete é dobrável. Não é levinha: pesa cerca de 18 quilos, mas ele afirma que dá para ser empurrada como uma mala de rodinhas.

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