A guerra dos aplicativos de entrega e dos super apps promete em 2020. O iFood, um dos aplicativos de entrega de comida pioneiros no mercado brasileiro, prepara-se para ampliar de forma significativa sua atuação sobre os supermercados em 2020, reforçando seu foco na cadeia de alimentos.

Quais os planos do iFood nessa área? A companhia, que é controlada pela brasileira Movile, estima elevar a base atual de supermercados atendidos para 1.000 estabelecimentos distribuídos por todas as grandes cidades brasileiras até o final do primeiro semestre de 2020, disse o vice-presidente financeiro, Diego Barreto.

Até novembro, o iFoods atendia 200 supermercados em 80 cidades do país.

A operação com supermercados atraiu nesta semana a rede varejista BIG (antes conhecida como Walmart Brasil) e deve incluir novas bandeiras nos próximos meses, além de supermercados regionais, disse o executivo.

“Esperamos redes de capilaridade nacional entrando no serviço nos próximos meses, assim como captação natural de supermercados regionais, que possuem uma estrutura de venda online menor e esperam complementar suas ofertas com a gente”, afirmou Barreto.

Qual o contexto? A iniciativa acontece ao mesmo tempo em que grupos varejistas como o GPA seguem investindo em aplicativos de entrega de produtos e alimentos — no caso, o James Delivery –, enquanto novos entrantes surgem no setor, como o aplicativo de transporte 99, que acaba de lançar seu serviço de entrega de refeições, o 99 Food. Outros fortes concorrentes incluem a Rappi, o Uber Eats e a Loggi.

Quais os demais planos do iFood? Neste ano, além de iniciar a operação com supermercados, a empresa está investindo em oferta de serviços de gestão de restaurantes e inteligência artificial, iniciativas que incluem até entregas via robôs.

“Não estamos atirando para todos os lados. Nosso foco é na cadeia de valor de alimentação. A empresa tem compromisso com crescimento sustentável e temos cumprido o que estava previsto em nosso plano de negócios”, disse Barreto, sem mencionar números financeiros da companhia.

Enquanto isso, para enfrentar os novos entrantes no mercado de entrega de refeições, a iFood tem focado em ampliar vínculos com entregadores e restaurantes, oferecendo seguro para 100% dos 83 mil entregadores cadastrados em sua plataforma no país, disse Barreto. Outra iniciativa foi a oferta de descontos para abastecimento de combustível dos veículos dos entregadores em postos de uma rede parceira da empresa.

Aplicativo do iFood vai oferecer novas opções de entrega de alimentos adquiridos em supermercados
Crédito: Shutterstock

Quais o tamanho do iFood atualmente? O executivo citou os dados da operação de entrega de comida do iFood em novembro no Brasil: foram 26,6 milhões de pedidos, um crescimento de 116% sobre novembro de 2018. Segundo Barreto, o desempenho do mês passado foi semelhante ao obtido nos outros meses do ano e em 2020 a “empresa deve seguir crescendo tanto quanto nos últimos anos”.

“Não imaginamos motivo para o mercado não apresentar a mesma velocidade de crescimento deste ano.”

O número de cidades com serviços do iFood também cresceu na casa de 100%: eram 912 em novembro, ante 459 um ano antes. A base de restaurantes cadastrados saltou de 52 mil para 131,3 mil no período.

O iFood terá capital para bancar o plano de expansão? Apesar do salto nas operações e do avanço dos rivais sobre seu mercado, Barreto afirmou que a companhia não trabalha com a possibilidade de realizar uma oferta inicial de ações (IPO), aproveitando o bom momento da bolsa brasileira.

Segundo ele, o iFood conta com sua própria geração de caixa decorrente do negócio de entregas e com o aporte de US$ 500 milhões recebido no ano passado do grupo sul-africano Naspers e da Innova Capital. “Isso será suficiente para os planos de crescimento da empresa nos próximos anos”, afirmou o executivo.

(Com a Reuters)

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