A Royal Face é uma rede de clínicas de estética voltada para a classe C, que oferece tratamentos como botox e preenchimento com condições de pagamento facilitadas. O diferencial da marca é o “carnê da beleza”, que permite o parcelamento em até 24 vezes.

“O objetivo é democratizar a beleza. As classes mais baixas não têm acesso a esse tipo de serviço”, diz Rodrigo Boreli, sócio do Grupo Up Franquias e diretor de Operações da Royal Face.

Para conquistar a clientela, eles apostam em um ambiente refinado, com perfume personalizado e tratamento VIP: água saborizada, café e bombons estão entre os mimos oferecidos.

“É um público carente de atenção, que, em geral, não está acostumado a ser bem atendido, enfrenta filas onde vai. Aqui temos um atendimento humanizado, cada cliente é chamada pelo nome e se sente especial”, aponta Boreli.

Clientes não têm vergonha e fazem boca a boca

Outra característica do público, segundo o empresário, é que, ao contrário das classes mais altas, as clientes da Royal Face não têm vergonha de dizer que passaram por um procedimento estético.

“Enquanto as mulheres das classes A e B escondem seus procedimentos para parecerem naturais, as da classe C têm orgulho. Pegam transporte público com micropore no rosto sem nenhum problema, exibem a sacolinha da clínica com os itens para o pós-tratamento, contam para as amigas, postam nas redes sociais”, afirma.

O negócio é uma franquia que tem 53 unidades em operação e 125 em implantação – mais de 100 foram vendidas durante a pandemia, muitas delas para empreendedores que já são donos de outra unidade.

Foi desenvolvido pela dentista e sócia Andrezza Fusaro, em Curitiba, por isso, a maioria das unidades se concentra nos Estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A estratégia do carnê foi ideia de Andrezza, que via as clientes dispostas a investir em tratamentos de beleza, mas sem meios de pagamento, como cartão de crédito.

A expansão por franquias começou em 2018. Em 2019, o faturamento da empresa foi de R$ 16 milhões.

Dados da franquia Royal Face (fornecidos pela empresa):

  • Investimento inicial: a partir de R$ 122 mil
  • Faturamento médio mensal: R$ 135 mil
  • Lucro médio mensal: em torno de 20% do faturamento
  • Prazo de retorno do investimento: de 8 a 12 meses

Financeira própria para baratear crédito

A marca tem uma estratégia comercial agressiva. Além do parcelamento em até 24 vezes no carnê, faz promoções populares, como raspadinha e sorteios. Para oferecer crédito a taxas mais baixas, a empresa possui uma financeira própria.

“Há financeiras no mercado que cobram até 10% ao mês. Nós temos uma taxa mais baixa, entre 4,9% e 5,5% ao mês. Depende de análise de crédito do cliente, avaliamos caso a caso. Mas quem tem histórico de bom pagador conosco já tem crédito pré-aprovado”, afirma Boreli.

Botox por menos de mil reais

Segundo o diretor de operações da Royal Face, a maioria dos clientes opta pelo parcelamento em até oito ou nove vezes. Até porque muitos tratamentos exigem retoque – e um novo investimento – antes disso.

É o caso do carro-chefe, o botox facial. Uma aplicação completa em três regiões do rosto (testa, olhos e a “região bravo”, o franzido entre os olhos) custa R$ 990 e dura de três a cinco meses, em média. Ao todo, são mais de 40 tipos de tratamentos faciais e corporais, como preenchimento, linhas de sustentação, lipo de papada, peeling, clareamento de melasma e secagem de vasinhos.

Mercado é promissor, mas expansão acelerada tem riscos

O segmento de beleza sempre foi forte no Brasil, e o país é o que mais realiza procedimentos estéticos no mundo, segundo uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês) divulgada em dezembro de 2019. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, mesmo com a pandemia, o segmento de Saúde beleza e Bem-Estar faturou mais de R$ 7 bilhões no segundo trimestre de 2020.

Davi Jerônimo, consultor de negócios do Sebrae-SP, diz que a empresa acertou ao mirar na classe C que, de fato, é carente deste tipo de serviço. “Eles demonstram preocupação com a experiência do cliente, o que é um diferencial para este público, que tende a ser fiel. Mais do que beleza, eles vendem sonhos, autoestima e, assim, conseguem atrair o cliente de forma quase emocional”, avalia.

A estratégia do negócio, com o carnê da beleza, é outro trunfo, segundo o consultor. “O que os outros veem como um risco – a inadimplência -, eles enxergam como oportunidade. É um modelo arriscado, mas que já provou o seu sucesso – vide as Casas Bahia. É um risco calculado. Assim, eles conseguem incluir um grande grupo de brasileiros desbancarizados, por exemplo”, opina.

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, de 2019, apontava a existência de 45 milhões de desbancarizados no Brasil, ou seja, um em cada três brasileiros. A pandemia, porém, diminuiu este número.

Por outro lado, ele alerta para os perigos da expansão acelerada. “O crescimento precisa ser planejado, com a preocupação da matriz em manter o padrão dos atendimentos nas franquias, para não prejudicar a experiência do consumidor. Além disso, é uma classe mais vulnerável às oscilações da economia”, afirma.

Tratamento estético na Royal Face/Crédito: Divulgação

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