Em 1978, quando a Coca-Cola se tornou a primeira empresa estrangeira com permissão para novamente operar na República Popular da China após a Revolução Comunista, a companhia optou por garrafas de vidro para a nova fábrica, em vez das latas ou plástico usados no Ocidente, por uma razão simples.

“Uma boa garrafa pode ser reciclada, talvez 20 vezes”, disse Peter Lee, o primeiro presidente da Coca-Cola no país, em entrevista em junho. A indústria de embalagens da China estava em sua infância, e a Coca-Cola decidiu que poderia vender mais bebida gaseificada recuperando garrafas vazias no momento da entrega e reabastecendo-as.

Agora, a reciclagem se torna crítica para a imagem da empresa, e a China novamente representa um dos maiores desafios. A Coca-Cola produz cerca de 3 milhões de toneladas de embalagens plásticas no mundo todo a cada ano – o equivalente a cerca de 200 mil garrafas por minuto – e foi considerada a maior poluidora de plástico do mundo.

Um novo empreendimento em Hong Kong, uma cidade com uma das piores reputações em relação ao lixo plástico não reciclado, dá pistas de como a Coca-Cola pode resolver o problema. A parceira de engarrafamento da empresa na cidade, a Swire Coca-Cola – controlada por um dos clãs mais ricos de Hong Kong – está ajudando a construir a primeira fábrica moderna de reciclagem de garrafas da cidade. É uma das iniciativas de reciclagem mais ambiciosas de um dos parceiros da Coca-Cola e pode abrir caminho para empreendimentos mais sustentáveis na China.

A joint venture entre a Swire Coca-Cola, a Baguio Waste Management & Recycling e Alba, um grupo de reciclagem alemão, poderia capturar em plena capacidade a maior parte dos 5 milhões de garrafas plásticas que a cidade consome por dia. A fábrica deve ser inaugurada em setembro e teria lucro exportando o plástico triturado para a Europa, onde os preços são mais altos devido à exigência de que garrafas plásticas contenham pelo menos 25% de material reciclado até 2025.

Oceanos entupidos

É um pequeno passo para a Ásia, onde a rápida industrialização produziu montanhas de embalagens descartáveis que podem durar 400 anos. Juntos, China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietnã despejam mais plástico nos oceanos do que o resto do mundo, de acordo com a Ocean Conservancy. O problema se agravou na região quando a China parou de receber resíduos importados em 2018.

O problema é particularmente grave em Hong Kong, cujos 6 milhões de toneladas de resíduos anuais acabam em aterros onde os plásticos representam quase 25%. O que a cidade precisa reciclar é realizado principalmente por milhares de catadores de sucata, garis e empregadas domésticas que vasculham o lixo em busca de itens que possam vender.

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