A chegada da Alexa, a assistente virtual da Amazon, e da sua linha de alto-falantes Echo no idioma português, abre uma infinidade de oportunidades para negócios que exploram a tecnologia de voz. E esse momento vem a calhar com os anseios do consumidor: pesquisa da Iprospect mostra que os brasileiros gostariam de encomendar comida, realizar compras, como de ingressos de cinema, bilhetes aéreos, reservar estadias de hotel e produtos usando apenas a voz.

Como a Alexa pode afetar nosso mercado? Gustavo Macedo, diretor de inovação da Iprospect, diz que a Alexa abre muitas oportunidades para o comércio digital. “O outro player do mercado, que é o Google Home, não é tão transacional quanto a Alexa. A Amazon já tem expertise no setor de varejo e já está atuando na área de comércio no Brasil.”

O que significa isso de comércio digital? É isso mesmo que vocês podem estar pensando: é a possibilidade de fazer compras usando a assistente de voz. Macedo afirma que a Amazon tem tecnologia para expandir rapidamente a gama de negócios que podem ser plugados à Alexa.

Mas estamos preparados para essa tecnologia? Macedo diz acreditar que num primeiro momento os consumidores tendem a desconfiar de aplicações relacionadas a transações financeiras por tecnologia de voz. “Esse estranhamento não é novidade. No começo, as pessoas tinham receio de comprar roupa ou calçado pela internet, achavam que não era possível fazer isso sem experimentar. Hoje estamos vendo o sucesso de grandes varejistas online desses segmentos.”

Então como esse contato com a voz deve se expandir? Para Macedo, os brasileiros tendem primeiramente a se familiarizar com aplicações comportamentais da Alexa, como pedir para tocar uma música.

Ele diz que há espaço para empresas “colarem” suas vendas em tutoriais de “como fazer”. “O ‘como fazer’ é a busca que mais cresce na internet. Uma empresa de maquiagem pode fazer um filme explicando como fazer um olho esfumado e em seguida perguntar se o consumidor quer continuar assistindo ou deseja comprar uma sombra, por exemplo.”

Macedo diz que pessoas com dificuldades motoras, idosos ou analfabetos funcionais são os mais beneficiados por aplicações comerciais que utilizam tecnologia de voz. “Por terem dificuldade para digitar, eles são os que mais precisam dessa tecnologia para realizar transações.”

E o que vai dar para fazer com a Alexa no Brasil? Vai ser possível chamar um carro da Uber ou pedir uma comida para o iFood, por exemplo. A Uber ainda não tem muitos detalhes sobre como será essa aplicação.

No iFood, o usuário precisará falar: “Alexa, falar com o iFood” ou “Alexa abrir o iFood”. A partir desse comando, será possível obter informações sobre pedidos, acompanhar o status, como tempo de preparação do restaurante, estimativa de entrega e chegada, além de ser apresentado a opções de pratos entre os mais de 30 tipos de culinária disponíveis.

Como os bancos estão usando a Alexa? Itaú e Bradesco foram os primeiros a anunciar que terão integrações com a assistente de voz da Amazon.

No caso do Itaú, os clientes poderão fazer consultas de voz dos benefícios dos cartões de crédito, como descontos em cinemas, teatros, hospedagens e lojas parceiras. O banco informa que está trabalhando em novas funcionalidades e avaliando oportunidades de integração com o assistente de voz.

Já o Bradesco diz que seus clientes poderão esclarecer dúvidas sobre produtos e serviços, consultar saldo e realizar pagamento de boletos cadastrados em DDA (Débito Direto Autorizado) utilizando a voz. Essa interação se dará pela BIA, sua tecnologia de Inteligência artificial. Para ativar as funções será necessário falar acionar a BIA com a frase: “Alexa, abra a BIA do Bradesco”.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.