A compra da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo pela Caoa já tem objetivo definido: produzir automóveis da Changan, uma das cinco maiores montadoras da China.

Segundo fontes do setor, a Changan deverá produzir principalmente SUVs (utilitários esportivos) no ABC paulista. Os modelos, porém, deverão ser mais baratos do que os produzidos pela Caoa Chery.

Estande da montadora chinesa Changan na cidade de Guangzhou, no sul da China; veículos da marca serão fabricados no Brasil pelo grupo Caoa, que comprou uma fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, em São Paulo
Crédito: Reuters

O que aconteceu? Na cerimônia do anúncio do negócio, que aconteceu na terça-feira (3) no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador João Doria, havia pelo menos dois representantes da marca chinesa. Um deles, que preferiu não se identificar, disse que há uma comitiva da empresa no Brasil acertando os detalhes da parceria. Seria um retorno da Changan ao país: a empresa já esteve no Brasil com veículos importados, mas acabou desistindo do mercado.

Qual é a posição oficial da Caoa? Na entrevista coletiva do evento, o presidente da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, confirmou que pretende usar a fábrica do ABC para fazer carros “de uma marca chinesa”, sem citar nomes. Logo após o fim do evento, Andrade saiu sem falar com os jornalistas.

Procurada, a Caoa disse que não há nenhum tipo de acordo firmado com uma marca chinesa para a fábrica do ABC. Caso isso ocorra, o grupo fará um anúncio público e comunicará a imprensa a respeito.

Você pode me dar um pouco mais de contexto? O acordo encerrou sete meses de incertezas em relação à unidade, desde que a Ford anunciou planos de fechá-la. A fábrica da Ford passará agora para a fase de due dilligence — em que detalhes financeiros e operacionais são analisados pelo comprador — por 45 dias. Depois disso, se nada de errado for encontrado, a aquisição deve ser oficializada.

Afinal, quais os negócios da Caoa? A compra da fábrica da Ford ocorrerá menos de dois anos depois de a Caoa assumir as operações da Chery no Brasil. Em novembro de 2017, o grupo brasileiro, que já representava as marcas Subaru e Hyundai no Brasil, comprou metade da operação da marca chinesa por US$ 60 milhões, criando a Caoa Chery.

Com uma expansão de 131%, a Caoa Chery foi a marca que mais avançou no Brasil em 2018. A empresa vendeu 8.640 carros no país no ano passado, muito acima dos 3.734 veículos em 2017.

Qual é a história da Changan? Ela é uma das cinco maiores montadoras chinesas. Em 2017, teve o seu melhor resultado histórico, ocupando o 4º lugar no seu mercado de origem, com mais de 2,8 milhões de veículos vendidos.

A Changan já atuou no Brasil. A empresa chegou ao país em 2006, por meio de um importador, e ficou até 2016. Durante esse período, vendeu veículos comerciais da subsidiária Chana Motors — que, assim, como a Hafei, pertence à Changan. À época, oferecia três modelos: uma picape e duas vans, uma de carga e outra de passageiros.

Em 2011, a marca passou a se chamar Changan no Brasil e anunciou a importação de automóveis de passeio. No entanto a promessa — que incluía o hatch compacto Ben Ben, o crossover CX20 e o sedã Yuexiang — nunca se concretizou.

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