Enquanto empresas de compartilhamento reveem projetos locais, o grupo brasileiro Drop inicia na próxima semana, a partir do dia 27, as vendas de seus primeiros patinetes elétricos montados no país com 80% de componentes importados da China.

A produção teve início em dezembro na antiga fábrica da Sharp, marca japonesa de eletrônicos, em Manaus (AM). A Drop alugou a instalação.

Mas empresas como a Grow revisaram para baixo seus planos nas grandes cidades. Faz sentido investir em patinetes? Sem a necessidade de negociar com as prefeituras licenças para o serviço de compartilhamento nem bancar custos de operação (distribuição pelas cidades, manutenção diária etc.), a Drop aposta que os brasileiros vão estar dispostos a comprar o seu próprio patinete, para guardar em casa.

Qual a história da Drop? A empresa atua como importadora e distribuidora de veículos elétricos desde 2017. A  montagem local foi motivada pela alta do dólar, afirma Ricardo Ducco, diretor de marketing. “O produto já é caro e, com a altíssima carga tributária e o dólar alto, a importação ficou inviável”, explica.

Como é o patinete da Drop? Tem autonomia de 30 km a 35 km e a recarga elétrica é feita em três a quatro horas. Tem painel digital com velocímetro, carga de bateria e seleção de potência, retrovisores, farol e freio a disco. As rodas são calibráveis (maiores que as tradicionais para adaptação às ruas brasileiras, normalmente com muitos desníveis). Os modelos da marca atingem velocidade de 25 km/h, a permitida por lei.

Quanto custa? Com produção local, o preço ao consumidor pode vir mais em conta do que o patinete importado. A empresa oferece duas opções do veículo, ambas dobráveis. O GO-08, de 36 volts, tem preço sugerido de R$ 3 mil, e o GO-10, de 48 volts, R$ 4 mil.

Onde comprar o patinete? Os modelos serão comercializados em mais de mil pontos, principalmente em lojas de material esportivo de shopping centers e em grandes redes de varejo.

Qual a estratégia da Drop? Inicialmente a empresa apenas vai montar os patinetes com kits (CKDs) importados da China. Apenas 20% dos itens de fabricação são locais, como guidão, manopla e retrovisor, dentro das regras da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Quanto a Drop investiu na produção? Foram R$ 4,2 milhões para iniciar a montagem dos veículos. Parte veio de aporte do proprietário da empresa, o paulista Sérgio Zancope, e parte de empréstimos.

A fábrica de Manaus tem capacidade de produção de 120 mil patinetes por ano. Em 2020, ao menos 13 mil deles devem ser entregues. Atualmente, 20 funcionários estão empregados.

As vendas da Drop: De 2011 a 2013, a Drop diz que vendeu 2 mil patinetes ao ano. Nos últimos anos, na esteira da crise de 2015-2016, a média caiu para mil unidades, sendo 90% para aplicativos de transporte. Essa modalidade de uso aumentou após a chegada das empresas de compartilhamento por aplicativos, diz Ducco.

(Com Estadão Conteúdo)

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