Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que tem vontade de privatizar a Petrobras e que avaliará com a equipe econômica o que pode fazer.

A declaração do presidente, feita durante uma entrevista à Rádio Novas de Paz, vem em meio a pressões sofridas pelo governo federal de diversos segmentos devido a um avanço expressivo dos preços dos combustíveis no país neste ano, que têm refletido cotações internacionais.

O Brasil não produz o volume de combustíveis necessário para abastecer o país e depende de importações. A Petrobras, nos últimos anos, vem buscando praticar preços de mercado, para garantir que as compras externas não tragam prejuízos.

“Eu já tenho vontade de privatizar a Petrobras, tenho vontade, vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer, porque, o que acontece? Eu não posso, não é controlar, não posso melhor direcionar o preço do combustível, mas quando aumenta a culpa é minha. Aumenta o gás de cozinha, a culpa é minha, apesar de ter zerado o imposto federal”, afirmou o presidente.

Na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu que o governo possa vender ações da petroleira em momento de valorização dos papéis para distribuir parte dos ganhos à população mais vulnerável.

Guedes disse ser favorável à privatização de todas as estatais, mas que, no caso da Petrobras, uma alternativa pode ser levar a empresa ao Novo Mercado, segmento com níveis mais exigentes de governança em que as empresas só podem emitir ações ordinárias (com direito a voto).

O governo poderia manter o controle da estatal por meio de uma golden share, mas a mudança geraria um valor adicional de 100 bilhões a 150 bilhões de reais para a empresa, disse Guedes.

As ações preferenciais da Petrobras saltaram após os comentários de Bolsonaro.

(Por Ricardo Brito; Texto de Marta NogueiraEdição de Maria Pia Palermo)

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