O Brasil teve seu melhor ano em emissão de ações da história, e o Bank of America foi o banco de investimento que mais ganhou com isso.

O banco de Wall Street tomou o primeiro lugar no ranking de líderes de emissões de ações deste ano no país, ao realizar um total de R$ 20,6 bilhões em transações, ultrapassando o Banco Itaú BBA e o JPMorgan Chase & Co., que ocuparam os dois primeiros lugares em 2019, mostram dados compilados pela Bloomberg.

“Em março, quando a pandemia atingiu o Brasil, estávamos muito preocupados e pensamos que 2020 seria um ano perdido”, disse Hans Lin, co-chefe de banco de investimento para o Brasil do Bank of America, em entrevista. “Mas tudo voltou com força total a partir de julho, e o pipeline para 2021 está muito grande.”

A maior economia da América Latina foi duramente atingida pelo surto de Covid-19, com 6,7 milhões de casos confirmados e o segundo maior número de mortes no mundo. Para ajudar a revitalizar a economia, o Banco Central reduziu a taxa de juros de referência para o nível mais baixo de todos os tempos, levando os investidores a se desfazerem de seus títulos de renda fixa e comprarem ações. Corporações, fundos de private equity e até mesmo o governo brasileiro aproveitaram o apetite recém-descoberto dos investidores por ações para levantar dinheiro.

Um total de R$ 154,3 bilhões foi captado com emissão de ações de empresas brasileiras em 2020, um aumento de 47% que superou o recorde anterior de R$ 153,6 bilhões em 2010, mostram dados compilados pela Bloomberg. As comissões pagas aos bancos para liderar transações de emissão de ações no Brasil aumentaram quase 18% em dólares, para US$ 496 milhões, e o BofA foi o banco que teve a maior receita com elas, de acordo com a empresa de pesquisa Dealogic, com sede em Londres.

O Bank of America, com sede em Charlotte, Carolina do Norte, foi o líder na maior oferta pública inicial de ações da América Latina neste ano, uma transação de US$ 2,2 bilhões, da operadora de hospitais Rede D’Or São Luiz. Também esteve à frente da maior venda em bloco de ações do Brasil, de US$ 1,6 bilhão em ações da Vale.

O banco de desenvolvimento do país é responsável por grande parte do volume de emissão de ações deste ano. O BNDES vendeu uma participação de R$ 22 bilhões que detinha em ações da Petrobras no início do ano, uma das maiores transações de mercado de capitais de renda variável na história do Brasil. Também captou quase R$ 11 bilhões com duas vendas em bloco de fatia na mineradora Vale, uma em agosto e outra em novembro.

Apesar da bonança de ações, as comissões da indústria de banco de investimento, incluindo assessoria em fusões e aquisições e liderança em emissão de dívida, devem terminar o ano quase 14% abaixo de 2019 em dólares, de acordo com a Dealogic. Uma combinação de menor volume de fusões e aquisições e uma queda de cerca de 20% do real são os culpados, disse Lin.

Os fluxos de investidores externos comprando ações brasileiras também ajudarão a impulsionar os negócios em 2021. Os estrangeiros injetaram US$ 6,4 bilhões nos mercados de ações do país em novembro, o maior valor mensal desde pelo menos 2008.

“No último trimestre, vimos um aumento na presença dos investidores globais no Brasil, especialmente nas maiores transações de ações”, disse Lin.

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