A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, planeja pressionar empresas no próximo ano para uma maior diversidade étnica e de gênero nos conselhos e na força de trabalho. E alerta que votará contra diretores que não tomarem medidas.

A gestora, que administra mais de US$ 7,8 trilhões em ativos, pede que empresas dos EUA divulguem a composição racial, étnica e de gênero dos funcionários – dados conhecidos como EEO-1 – bem como as medidas tomadas para promover a diversidade e inclusão, segundo relatório de governança divulgado na quinta-feira.

“Estamos elevando nossas expectativas”, disse a BlackRock, com sede em Nova York. “Uma força de trabalho inclusiva, diversificada e engajada contribui para a continuidade dos negócios, inovação e criação de valor a longo prazo.”

Empresas estão sob pressão crescente de investidores e ativistas para abordar a diversidade. AState Street Global Advisors, que administra cerca de US$ 3 trilhões para clientes, disse em agosto que pedirá que as empresas informem métricas e metas para aumentar a diversidade racial.

Em janeiro, o CEO da BlackRock, Larry Fink, se comprometeu a colocar a sustentabilidade no centro da estratégia de investimento da empresa. Mas a gestora tem sido criticada por grupos ambientais por não apoiar resoluções relacionadas ao clima. Com isso, a BlackRock disse que a votação sobre propostas de acionistas terá um papel maior em seus esforços de governança em 2021.

A BlackRock também disse que planeja perguntar às empresas sobre seu lobby político, o impacto dos negócios sobre as principais partes interessadas e planos de transição para uma economia de baixo carbono. A empresa disse que aumentou as expectativas quanto à independência e mandato de diretores, e que os conselhos e a gerência serão examinados nas reuniões anuais do próximo ano sobre suas respostas à pandemia de Covid-19.

A BlackRock disse que os homens respondiam por 58% de da força de trabalho global da gestora no ano passado. Nos Estados Unidos, 58% dos funcionários eram brancos, cerca de 25% eram asiáticos, 6% eram latinos e 5% eram negros. Os brancos ocupavam quase 70% dos cargos executivos, seguidos pelos asiáticos com 22%, negros com 4% e latinos com 3%.

Com relação à mudança climática, a BlackRock disse que pressionará mais de 1.000 corporações intensivas em carbono para explicitarem seus riscos relacionados ao clima. Neste ano, a gestora se concentrou em 440 empresas, das quais colocou 191 “sob vigilância”. A BlackRock disse que pode votar contra diretores dessas empresas em 2021, a menos que mostrem avanços na frente ambiental.

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