Por Andrew Galbraith

XANGAI (Reuters) – O efeito de contágio dos problemas de dívida do China Evergrande Group no sistema bancário é controlável, disse um funcionário do banco central da China nesta sexta-feira, em raros comentários oficiais sobre a crise de liquidez na incorporadora que abalou os mercados globais.

As autoridades chinesas estão pedindo à Evergrande que intensifique as alienações de ativos e a retomada dos projetos, disse Zou Lan, chefe de mercados financeiros do Banco do Povo da China, em coletiva de imprensa, acrescentando que as instituições financeiras individuais não têm alta concentração de exposição à Evergrande.

“Nos últimos anos, essa empresa não operou e administrou bem a si mesma. Ela falhou em conduzir operações prudentes de acordo com as mudanças nas condições do mercado e diversificou e expandiu cegamente seus negócios”, disse Zou em Pequim.

As autoridades chinesas e a mídia estatal têm ficado em silêncio sobre a crise na Evergrande, que deixou de pagar uma série de juros sobre títulos e tem 300 bilhões de dólares em dívidas, tornando-se a incorporadora mais endividada do mundo.

Nesta sexta-feira, Zou disse que a Evergrande deve intensificar a alienação de ativos e a retomada da construção de projetos, para os quais as autoridades fornecerão apoio financeiro.

Alguns credores tiveram “mal-entendidos” sobre as políticas de controle da dívida do banco central, causando tensões financeiras para algumas incorporadoras, já que alguns novos projetos não conseguiram obter empréstimos mesmo depois de pagarem os empréstimos existentes, disse Zou.

“Essa reação extrema de curto prazo é um fenômeno normal do mercado”, disse ele.

As incorporadoras chinesas enfrentam mais de 500 milhões de dólares em pagamentos de cupons de títulos de alto rendimento antes do final deste mês. Dados da Refinitiv mostram que os pagamentos de cupons pela Kaisa Group Holdings e Fantasia Holdings vencem neste fim de semana.

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