Em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), analistas do Bank of America detalharam projeções menos otimistas para os resultados dos grandes bancos privados brasileiros. A instituição vê o setor ainda gerando valor e pagando bons dividendos aos seus acionistas, mas com perspectiva tímida de crescimento.

Se em 2019, a projeção era um crescimento de 16% nos lucros das instituições, esse percentual deve passar a apenas 2% neste ano, uma “desaceleração acentuada”. O BofA avalia que os lucros de Bradesco e Santander subam em torno de 4%, enquanto os do Itaú Unibanco cairiam cerca de 3%. Por esse motivo, a perspectiva do Bradesco foi rebaixada para “neutral” e a do Itaú para “underperforming”.

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Os analistas Mario Pierry, Giovanna Rosa e Ernesto Gabilondo destacam dois fatores novos a pressionarem mais os bancos: o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20% e a adoção do teto de 8% para as taxas de juros praticadas no cheque especial.

Em relação a fatores para os quais investidores devem estar atentos, os especialistas citam “a agenda do Banco Central de promover a competição”, os riscos “mais reais” de competição por parte das fintechs e a redução das expectativas de lucro, com as taxas mais baixas de juros ameaçando a rentabilidade do setor.

Apesar disso, o relatório do Bank of America pondera que os grandes bancos privados brasileiros são bem capitalizados e seguem suportando uma boa margem de dividendos e suas ações podem se beneficiar do crescimento do investimento em ações, dado o alto peso que possuem no índice Ibovespa.

As boas notícias também aparecem nas projeções de crescimento nas concessões de empréstimos, puxadas pelas pessoas físicas e pequenas e médias empresas, as taxas crescendo levemente acima da inflação e os custos caindo mais do que o aumento nos preços, dadas as recentes contenções de despesas por parte das instituições.

Ações caem. O relatório do BofA impactou as ações dos grandes bancos brasileiros nesta segunda-feira. Depois de dois pregões de alta, os papeis de Itaú Unibanco (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tiveram reduções expressivas.

O Itaú fechou em baixa de 2,03%, com as ações cotadas a R$ 34,23. O Bradesco caiu 1,95%, na faixa de R$ 34,76. E o Santander (SANB11), com uma redução menos expressiva de 0,40%, fechou o dia com as ações cotadas a R$ 46,00.

Na semana passada, reportagem do 6 Minutos destacou que a agenda do Banco Central de defender uma maior competição no setor bancário e de buscar medidas que facilitem a vida de fintechs está impactando os papeis dos grandes bancos. No acumulado de 2020, ITUB4 caiu 7,70%, BBDC4 caiu 3,89% e SANB11 caiu 3,13%.

Em seu relatório, o Bank of America defendeu o preço-alvo de R$ 39 para Bradesco, R$ 34 para o Itaú e os mesmos R$ 46 para Santander.

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