A atividade econômica brasileira está mais resistente aos efeitos da segunda onda da pandemia de coronavírus do que na primeira, e a expectativa atual do Itaú Unibanco, de que o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá 3,8% em 2021, pode ser revisada para cima nos próximos dias.

A avaliação foi feita nesta terça-feira (dia 4) por Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, que divulgou seus resultados para o primeiro trimestre na noite de ontem. Com uma redução nas provisões para calotes, o banco apresentou um lucro líquido recorrente de R$ 6,3 bilhões, mais de 11% acima da estimativa de analistas de mercado e 63,6% maior do que o balanço do mesmo período de 2020.

“Tínhamos a sensação de pandemia estendida, de que a atividade poderia sofrer mais do que vem sofrendo”, afirmou o executivo em entrevista a jornalistas. “Mas temos notado a atividade mais resiliente do que no ano passado”.

De acordo com Maluhy, a inadimplência, apesar de ter dado sinais recentes de alta, está abaixo do que era esperado no ano passado. Ele vê o calote aumentando nos próximos meses, mas ainda assim em patamares mais baixos inclusive que o pré-pandemia.

“A inadimplência tem vindo melhor que imaginávamos, já que temos visto expansão fiscal, com o auxílio emergencial, e o aumento da poupança, na medida que as pessoas reduziram gastos”, avaliou. “As pequenas empresas estão mais pressionadas, deve haver uma deterioração, mas ainda abaixo do esperado e ainda abaixo do pré-crise”.

Cheque especial e crediário voltam a crescer

A margem financeira do banco com clientes totalizou R$ 16,2 bilhões no primeiro trimestre, uma redução de 5% na comparação com o mesmo período do ano passado. O executivo frisou que um dos motivos para a queda é o fato de que as linhas de crédito de taxas de juros mais elevadas, como o cheque especial, terem reduzido o uso durante a pandemia.

“Mas o cheque especial e o crediário já estão acelerando a contratação. Veremos uma recuperação da margem no próximo trimestre”, afirmou Maluhy.

 

 

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