O setor de franquias tem apresentado crescimento sustentável de 7%, em média, nos últimos três anos. Esse cenário, aliado à baixa taxa de mortalidade dessas empresas, tem levado muitos artistas a investirem seus recursos e imagens para alavancar marcas e negócios diversos.

Apesar de a ABF (Associação Brasileira de Franchising) não ter dados sobre o número de celebridades que atuam no ramo de franquia, Fabiana Estrela, diretora de capacitação da associação, considera que houve um aumento nos últimos anos. “Tomando por base a ABF Franchising Expo, maior feira de franquias do mundo em visitação, podemos notar um aumento de interesse da participação desse perfil de empresário no setor”, diz.

Ela afirma que existem vários modelos com participação de famosos, alguns são como embaixadores da marca, outros estrelam alguma campanha específica, mas também é bastante comum aqueles que lançam suas empresas por meio de franchising ou fazem parcerias (sociedade) com grupos franqueadores.  “O perfil da celebridade varia muito também. Temos atores, cantores, esportistas e outros profissionais com reconhecimento em suas respectivas áreas de atuação”, destaca a representante da entidade.

Os pioneiros

Uma das primeiras celebridades a entrar nesse ramo de atividade foi a dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, que montou há mais de 20 anos a churrascaria Montana Grill. Em 2014, a marca foi vendida para o grupo J.Alves, holding brasileira do setor de franquias de alimentação, mas os artistas seguem como embaixadores da marca.

Em 2012, a apresentadora Xuxa Meneghel se uniu à holding de franquias MZTO e lançou a Casa X, primeira rede de franquias de casas de festas infantis no país. Atualmente, são 25 unidades no total, sendo que 23 são franquias, que têm investimento inicial superior a R$ 1 milhão.

A atriz Giovanna Antonelli também viu no setor de franquias um filão de mercado e em 2013 fundou a GiOlaser, que teve sua expansão acelerada a partir de 2018 quando passou a integrar a holding Salus Par, que detém as marcas Sorridents e Olhar Certo, por exemplo. Ao todo, já são 28 lojas instaladas em nove Estados e a meta é abrir 64 unidades neste ano. O investimento inicial é de R$ 480 mil.

A atriz conta que na adolescência utilizou o tratamento de depilação a laser e isso mudou sua relação com a estética. “Quando comecei a empreender, pensei em saúde, beleza e bem-estar, pois assim como eu consumo produtos e serviços nessas áreas, as outras mulheres  também. Assim surgiu a GiOlaser”, diz Giovanna.

O ator Felipe Folgosi também viu no setor de franquias uma oportunidade para empreender. Fundada em 2018, com início da operação em 2019, a NuvNuv tem atuação no segmento de alimentação, com quiosques de gelato. O investimento inicial é de R$ 89,7 mil e são três unidades em operação. Folgosi conta que entrou com a imagem e também com know-how no desenvolvimento da marca – o projeto do quiosque foi baseado em um desenho feito por ele.

De acordo com o ator, o diferencial da marca é o gelato feito na hora, na frente do cliente. “Para o franqueado uma grande vantagem é que os insumos são secos então o custo logístico (frete e armazenagem dos insumos) é muito menor comparado com franquias em que o produto final é entregue pronto.”

“Independentemente da quantia que o investidor tenha disponível, entre os diversos tipos de empreendimentos procurados, o que mais tem chamado atenção é o franchising, por já ser um modelo de negócio testado, com mais chances de sucesso e baixa taxa de mortalidade, se comparado à abertura de uma empresa solo”, diz Guilherme Siriani Júnior, da Raia 1 Consultoria.

Atenção

A imagem de uma personalidade à frente de uma operação é, sem dúvida, um atrativo a mais para querer entrar no negócio. No entanto, especialistas alertam que a escolha da franquia deve ser feita com cautela. A avaliação é a mesma de uma franquia tradicional.

O advogado Paulo Yamaguchi, especialista em consultivo empresarial, fusões e aquisições e contratos destaca que é fundamental que o franqueado conheça bem a operação antes de fechar o negócio. “Cumprir os requisitos da lei de franquia seria um patamar mínimo de segurança, pois o franqueador deve demonstrar o negócio, uma boa estrutura de suporte e fornecimento dos insumos”, ensina Yamaguchi.

Do ponto de vista jurídico, o advogado diz que “uma circular de oferta bem estruturada, com linguagem simples e clara e que, em conjunto com o contrato de franquia e os manuais de operação que reflitam claramente o que foi apresentado e prometido são documentos necessários para que o franqueado possa exigir do franqueador tudo o que foi combinado”.

Para quem está embarcando no mundo business agora, diz Siriani, é preciso muita cautela e planejamento para não deixar que a ansiedade atrapalhe uma boa oportunidade.

“Conversar com franqueados e ex-franqueados é outra abordagem importante, pois fornece detalhes da operação cotidiana. Outra dica importante é fazer uma avaliação ampla que abranja aspectos financeiros, de concorrência e riscos externos. Por fim, antes de fechar, recomendamos levar o contrato de franquia para um advogado especializado, uma vez que se trata de um compromisso de longo prazo e com muitos detalhes importantes envolvidos”, diz Fabiana Estrela, da ABF.

O consultor de franquias Renato Claro comenta que a imagem da celebridade contribui para o marketing do negócio, mas é importante saber quem é o sócio que está por trás da operação, porque nem sempre o famoso tem expertise no negócio.

“A franquia, de um modo geral, é um empreendimento seguro, mas tem que avaliar se é um negócio para você e se gosta do produto ou serviço. Ter uma celebridade por trás não significa que é bom para você nem que será um sucesso”, alerta Claro.

A reputação do franqueador famoso pode sofrer, caso a franquia sofra algum problema ou vice-versa, destaca o advogado Yamaguchi. “A existência de compromissos éticos, anticorrupção e, quem sabe, planos de gerenciamento de crise, ajudarão a preservar e desvincular o conceito da celebridade com o da franquia.”

A consultora de franquias e negócios Sueli Campos destaca que todo negócio está sujeito a risco. “O franqueado, embora pessoa física, ficará vinculado a muitas obrigações tais como tributos, salários, aluguel do ponto comercial, mão de obra, fornecedores etc. Então antes de se vincular, deve pesquisar com muita profundidade o negócio, deve investigá-lo, falar exaustivamente com outros franqueados, saber como a franquia o auxiliará caso o negócio demore a alcançar seu ponto de equilíbrio. Ficou na dúvida se o negócio é bom ou não, não contrate ainda, procure orientações de um consultor de negócios sério, consulte advogados” diz.

“Lembrando que todo negócio tem seu risco, e nunca se orientar pela grama do vizinho, pois com certeza ela é sintética. Ou seja toda cautela se faz necessário. No mais é realmente entrar de corpo, alma e mente na sua unidade, e estar preparado com seu fluxo de caixa tanto para gerir a unidade, como suas despesas pessoais”, finaliza a consultora.

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