O empresário Gare Marques sabe o que é perder tudo e começar de novo do zero. Antes de montar a Mais1, uma rede de franquias de café para viagem que tem 140 lojas em operação, Marques esteve à frente de negócios que fecharam por acontecimentos externos, como mudança na legislação.

Filho de donos de uma indústria de defensivos agrícolas, ele assumiu os negócios da família aos 19 anos, quando os pais foram acompanhar a carreira de piloto de F-1 do irmão. Paralelo ao trabalho na indústria, Marques montou uma distribuidora de alto-falantes que ele trazia da China. “Quando o negócio estava pegando corpo, o governo criou uma legislação antidumping que encareceu a importação desses produtos.”

Em seguida, ele montou uma equipe de stock car. “Fui chefe por dois anos de uma equipe que estava indo muito bem, chegamos a ser vice-campeões, até que o caminhão que transportava os carros e equipamentos pegou fogo. Perdi tudo.”

Gare conta que sempre buscou empreender em outras áreas porque o trabalho na indústria não o completava. “Sempre fui de querer criar, inovar.”

Entre 2008 e 2009, ele negociou a venda da indústria de defensivos para uma empresa indiana por US$ 50 milhões. “Mas aí veio aquela crise mundial e a empresa indiana suspendeu todos seus investimentos e pediu para que esperasse um ano para fazer o pagamento.”

Só que nesse um ano a indústria de defensivos também foi afetada pela crise e por mudanças da legislação ambiental. “Foi uma sequência de azar, de maré ruim. Todo mundo que conviveu comigo pergunta como não desisti depois de tudo o que aconteceu. Mas nunca desisti.”

Mas foi aí que sua maré começou a mudar. Depois de perder quase tudo, ele criou uma empresa de chinelos que chegou a exportar para 18 países. Ele vendeu a empresa e com o dinheiro montou uma rede de franquias de café.

E como surgiu a ideia de criar a franquia de café para viagem?

Marques nunca trabalhou com café. Segundo o empresário, a ideia de montar esse negócio surgiu após um almoço de trabalho. Ele e os sócios queriam tomar um café diferente, de qualidade, mas não tinham muito tempo.

“A gente resolveu parar numa cafeteria legal, porque queria um café gostoso. Mas o local estava cheio, teríamos que esperar para nos sentar e tínhamos pressa. Acabamos voltando para o escritório com essa ideia: e se houvesse um local com café de qualidade, mas atendimento rápido? Dessa necessidade surgiu a Mais1 Café, que opera pelo sistema de pegue e leve”, contou.

Ele diz que o modelo de operação é muito enxuto: o cliente faz o pedido por um totem de autoatendimento, não tem mesinhas para se sentar e a cafeteria precisa de apenas um funcionário. “Não tem garçom. O cliente pede, recebe o café e leva para casa ou escritório.”

Hoje, a Mais1 Café tem 140 lojas em operação e mais 200 em fase de obra. O investimento para ter uma franquia da marca parte de R$ 150 mil. A previsão é alcançar 700 lojas até o final de 2022.

Segundo ele, muitos dos franqueados são pessoas que têm outro trabalho e usam a loja como segunda fonte de renda. “Como é um modelo simples de operação, a pessoa não precisa ficar 24 horas por dia no local acompanhando.”

Dica de sucesso

A dica que Marques dá para quem quer empreender é não desistir nunca. “Nunca desisti, E hoje estou em negócio mais próspero que os anteriores.”

Outro conselho dele é não trabalhar apenas com o que gosta. “É preciso analisar o que o mercado quer e o que tem chance de sucesso. É muita ideologia trabalhar só com o que gosta. É preciso trabalhar com o que é próspero. E não ter medo de inventar.”

Gare Marques, fundador da Mais1 Café/Crédito: Brasilio Wille

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