Com a chegada da pandemia, empresários tiveram que repensar os negócios para se adequar ao novo momento e à mudança de padrão de consumo dos brasileiros. Não foi diferente com as redes de franquias.

Com as portas das lojas fechadas, como ficou a rotina dos franqueados? Os donos recebem pelas compras pelo e-commerce da marca? Podem ter delivery próprio? Segundo especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, a situação varia de empresa para empresa.

São muitas possibilidades: algumas empresas ficam com todo o lucro do e-commerce para a marca, outras apostam em sistemas próprios para cada loja, delivery integrado entre franqueado e franqueadora e uso de WhatsApp. As formas de venda variam de acordo com o tipo de serviço e as regras estipuladas em contrato pela franqueadora.

“Existem empresas que comissionam os franqueados pelas vendas no e-commerce, mesmo que o empresário não participe de nenhuma etapa da venda. Também existe a opção em que o consumidor compra pelo site da marca e retira em uma loja, ou que o franqueado faz a entrega, participando mais da compra”, afirma Ana Vecchi, especialista em franchising.

Qual a opção mais comum? A integração entre marca e franqueado é bastante usada e vista como a principal tendência pela ABF (Associação Brasileira de Franchising).

Neste caso, o cliente faz a compra no e-commerce e pode fazer a retirada do produto em uma das lojas da rede ou receber em casa. A nota fiscal é emitida na loja e, por isso, entra como venda para o franqueado. “É como se o e-commerce da franqueadora estivesse usando o estoque do franqueado”, afirma André Friedheim, presidente da ABF.

Quais os benefícios da integração de canais? Baratear e encurtar o prazo de entrega ao consumidor, além de incluir o franqueado no marketplace. “O e-commerce está quase virando um delivery. Para virar, a rede de franqueados é super importante. Essa lojinha do franqueado acaba sendo um centro de distribuição para o e-commerce”, explica Friedheim.

E quando o franqueado não participa da venda? Para Vecchi, é importante que haja um repasse, mesmo quando o franqueado não faz parte da venda em si – isso se justifica porque as lojas nas ruas são fundamentais para o sucesso da rede.

“Apesar de deixar de ter a venda presencial pelas medidas de isolamento, o ponto de venda contribui para a construção da marca, demonstra que ela existe e estabelece um relacionamento do consumidor”, afirma Vecchi.

Qual o valor que o franqueado recebe por esse tipo de venda? Depende do contrato com a franqueadora. Cada empresa tem seu modelo de negócio e aplica um formato de remuneração para os lojistas. “Quando o franqueado vende a varejo, tem uma margem de lucro. No e-commerce, normalmente é menor. É um mundo de negociações muito particulares”, afirma Friedheim.

Como fica na vida real?

A 5àsec, rede de lavanderias, reforçou o sistema de delivery por causa da pandemia. A empresa já oferecia o serviço desde 2017, mas o faturamento nas lojas físicas sempre foi o carro chefe da operação. Ao entrar na “Lavanderia Online”, o consumidor coloca o CEP da residência e, a partir daí, tem acesso a uma lista com as lojas mais próximas da sua casa.

Ao escolher a loja de preferência, começa a negociação direta com o franqueado, que é quem recebe o pagamento e fica responsável pela retirada das peças na casa do consumidor e entrega depois do serviço. A expectativa da empresa é continuar com o serviço de delivery mesmo quando a pandemia chegar ao fim.

“Já estávamos, de certa forma, habituados com as vendas online. A operação online cresceu 300% no ano passado e, até então, as lojas ainda eram o grande volume do nosso faturamento”, afirma o diretor de operações da 5àsec, Fernando Toledo.

Experiência para dentro de casa

A venda online não fazia parte da cultura da rede Mr. Cheney no mundo pré-pandemia, conta o sócio fundador da marca, Lindolfo Paiva. A empresa, que vende cookies, começou a pensar em serviços de delivery há cerca de dois anos e o fechamento do comércio e de shoppings acelerou o processo.

Hoje, os franqueados podem receber pedidos pelo delivery da marca, disponível no site, que já direciona o consumidor para a loja mais próxima com base no CEP, ou pelas plataformas tradicionais, como Ifood, Uber Eats e Rappi – neste caso, cada loja tem seu cadastro próprio.

Antes da pandemia, as vendas online representavam apenas 5% do faturamento da marca. Hoje, principalmente em momentos de lojas fechadas, subiu para 20%. “Começamos devagar com treinamento para os franqueados e tem sido um aprendizado nesses dois anos que estamos entrando nesse mundo”, afirma Paiva.

Quais alguns dos aprendizados com o delivery? A empresa está investindo cada vez mais em produtos que façam sentido para o online, em melhorar embalagens e a comunicação com o cliente para se adequar a nova realidade, por exemplo. O foco é aprimorar o atendimento para trazer para dentro de casa a experiência que o cliente recebe nas lojas físicas.

Impacto da pandemia

As medidas de isolamento social fizeram com que franqueados e franqueadoras repensassem seu modelo de negócios e começassem a adotar novas formas de venda que, há algum tempo, eram impensáveis.

“Não tem uma regra única. É importante falar que o sistema de franchising tem um modelo de negócio baseado em um case de sucesso e que pode e deve ser adaptado aos momentos da economia”, afirma Vecchi.

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