Uma ampla varanda gourmet e talvez um bom cômodo extra que sirva para o home office. Os predicados mais cobiçados de quem busca um apartamento novo nestes tempos de pandemia dizem respeito principalmente ao que se encontra da porta de entrada para dentro. Afinal, as pessoas foram obrigadas a passar mais tempo dentro de casa e estão buscando espaços maiores e mais confortáveis para isso.

Mas a aposta da Even é que, em um futuro próximo, a atenção se voltará cada vez mais para o que se passa do lado de fora do apartamento. Em evento voltado a investidores nesta quinta-feira (20), a construtora e incorporadora conceituou o que chama de “produto fantástico”: um imóvel que não sirva apenas como moradia, mas que funcione como uma espécie de plataforma de soluções para as demandas da vida moderna.

“Ele permitirá o recebimento de entregas na ausência do morador, terá soluções para cuidado dos pets, entregará um ambiente para que os filhos da família façam novas amizades e pratiquem esportes”, descreveu Leandro Melnick, CEO da Even. “Ele vai transformar o jeito de morar, trabalhar e conviver das pessoas.”

Como esse futuro será possível? Na prática, o caminho para isso passa por uma oferta bem mais parruda de facilidades e serviços na área comum, que vão de SPAs e piscinas aquecidas e cobertas a espaços para armazenamento de mercadorias e estações de trabalho. A construtora já está incorporando algumas dessas soluções em seus últimos empreendimentos.

Oferecer tudo isso exige terrenos bem maiores: cada empreendimento exige a incorporação de 15 a 25 lotes, o que se torna especialmente desafiador em áreas com leis de zoneamento mais restritas. E a atuação da Even é concentrada no miolo mais nobre das zonas sul e oeste da capital paulista, em bairros como Pinheiros, Itaim Bibi e Brooklin.

Mas isso não custará mais caro para o consumidor? Sim, sem dúvida. Mas a Even mira os estratos mais abastados, que vão dos segmentos médio-alto ao de luxo, capazes de entregar maior rentabilidade ao negócio e aos investidores. A empresa acredita que é tudo uma questão de saber vender bem o produto. “Temos um time para explicar ao cliente todos os atributos do imóvel, para tentar fechar a venda pelo maior preço possível”, disse Melnick. “O corretor precisa vender atributos, não preço.”

A estratégia parece estar dando certo. No Platô Perdizes, por exemplo, com apartamentos de quatro suítes e metragens entre 140 m² e 190 m², Melnick conta que os preços praticados pela Even estão cerca de 20% superiores aos de concorrentes no mesmo quarteirão. Mesmo assim, as vendas vão bem – com ganho médio de preço de 6,8% sobre o INCC (Índice Nacional de Custos da Construção Civil).

A maré econômica está favorável? O cenário projetado pela Even é bastante otimista e enxerga que o atual ciclo de cinco anos, que se encerrará em 2023, terá uma recuperação do volume de lançamentos, depois da crise que teve seu auge em 2016. O Valor Geral de Vendas (VGV) deverá voltar aos R$ 30 bilhões, mesmo patamar do ciclo 2008-2013, tido como o melhor da história do setor, favorecido por fatores como os juros ainda baixos.

 Ciclo de expansão 2008-2013Ciclo de crise 2014-2018Ciclo de expansão 2019-2023
Valor geral de vendas (VGV)R$ 30 bilhõesR$ 20 bilhõesR$ 30 bilhões
Taxa Selic (média)10%11%6%
PIB (média período)4%-1%2%

Melnick destacou que a inadimplência do primeiro trimestre deste ano, de 4,3%, é a menor dos últimos anos – no primeiro trimestre de 2017, ela chegou a 30,6% – e que os imóveis ainda estão baratos para o consumidor.

“O índice Fipe-ZAP de 2014 até hoje para os imóveis em São Paulo subiu 14%, em média. Já o IPCA teve variação de 40% no mesmo período. Ou seja, os imóveis estão 26% mais baratos que a inflação”, comparou.

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