Por José de Castro

(Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, que o governo e a equipe farão “de tudo” para não perder a confiança do mercado, com ambos trocando elogios ao fim de uma semana em que os ativos financeiros despencaram por temores sobre os rumos da política econômica –o que gerou especulações de saída de Guedes do cargo.

“(Paulo Guedes) é uma pessoa que deposito total confiança nele. Foi excepcional o trabalho dele em 2019 e melhor ainda em 2020”, disse Bolsonaro. “Nós faremos de tudo para não perder a confiança do mercado, do investidor e do cidadão de maneira geral”, acrescentou.

Declaração conjunta de Bolsonaro e Guedes na sexta-feira ajudou a acalmar investidores, que experimentaram uma semana de forte turbulência com temor (posteriormente confirmado) de rompimento do teto de gastos, tido como âncora fiscal do Brasil.

O dólar negociado no mercado futuro superou 5,76 reais, e o principal índice das ações brasileiras chegou a exibir queda de 10,3% no acumulado da semana.

Neste domingo, o chefe do Executivo repetiu que ele e Guedes sairão juntos do governo. “A gente vai sair junto, fica tranquilo”, respondeu Bolsonaro a um questionamento a respeito.

Em uma feira de pássaros em Brasília, ambos falaram dos efeitos da inflação em alta sobre os mais pobres e do aumento dos preços dos combustíveis, mas disseram que medidas estão sendo tomadas, como o auxílio aos caminhoneiros e os ajustes no teto de gastos para viabilizar o novo Bolsa Família turbinado. Bolsonaro negou, porém, que as ações tenham cunho eleitoreiro.

“Lamentamos a situação em que se encontra o pobre no Brasil, passando dificuldade, tanto é que estamos socorrendo essas pessoas mais pobres como socorremos no ano passado”, disse o presidente a jornalistas.

“Não estamos aqui lutando por eleições de 2022. Não se toca nesse assunto, tanto é que até o momento nem partido eu tenho ainda”, completou.

REÇOS DOS COMBUSTÍVEIS

Em outro momento e voltando a falar sobre os preços dos combustíveis, o ministro da Economia disse que a Petrobras, com pouca concorrência no setor, pode deixar de ser “veneno” para se tornar “vacina”, enquanto Bolsonaro afirmou que o governo não interferirá na política de preços da empresa.

“Temos aí ao que tudo indica reajuste nos preços dos combustíveis”, disse Bolsonaro, citando na sequência a valorização dos preços do petróleo no mercado internacional e o comportamento do dólar no Brasil.

“Eu não tenho poder de interferir nisso na Petrobras. (…) Alguns querem que a gente interfira no preço. A gente não vai interferir no preço de nada”, disse Bolsonaro, acrescentando que ele e Guedes têm discutido os rumos da empresa para o futuro.

O ministro da Economia, que falou por bastante mais tempo que o presidente da República, rechaçou colegas economistas críticos ao estouro do teto de gastos e fez cobrança direta ao presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), acerca de andamento das reformas, enquanto elogiou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pelo progresso das pautas na Casa legislativa.

Guedes rebateu ainda afirmações de que Bolsonaro seria populista, defendendo que o presidente é popular e ainda assim permite que a economia seja reformista. O chefe da pasta da Economia disse que havia recebido informações neste domingo e que a Receita Federal está com recorde de arrecadação, com o país gerando 370 mil empregos formais por mês. “A economia está voltando com tudo”, disse.

“Neste final de ano, o setor mais vulnerável nosso, que mais sofreu, que foi turismo, serviços, comércio, vai explodir de crescimento. O Brasil está crescendo e vai crescer. São 540 bilhões (de reais) de investimentos daqui até o fim do ano”, disse, avaliando que esse valor poderia chegar a quase 1 trilhão de reais em compromissos de investimentos –segundo ele, contratos assinados.

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