Por Anshuman Daga e Andrew Galbraith

CINGAPURA/XANGAI (Reuters) – A China Evergrande concordou nesta quarta-feira em acertar o pagamento de juros de um título doméstico, enquanto o banco central da China injetou dinheiro no sistema bancário, aliviando temores de um contágio iminente da endividada incorporadora imobiliária.

A Evergrande, maior emissora de títulos “junk” (com baixa classificação de crédito) da Ásia, está tão envolvida com a economia da China que seu futuro deixou os mercados globais de ações e de títulos aflitos, já que atraso no pagamento poderia provocar o chamado “cross default”, vencimento antecipado de uma dívida devido a outra inadimplência.

Em um esforço para acalmar os investidores, o Banco do Povo da China injetou 90 bilhões de iuanes no sistema bancário, sinalizando suporte aos mercados conforme eles se preparam para o que deve ser uma das maiores reestruturações de dívida da China.

A Evergrande busca evitar dar calote em uma série de títulos com pagamentos nesta semana e sua principal unidade, a Hengda Real Estate Group, afirmou nesta quarta-feira que “resolveu” o pagamento de um cupom a vencer na quinta-feira através de “negociações privadas”.

Ela não especificou quanto ou quando vai pagar, e a Hengda também não mencionou outras dívidas da Evergrande, deixando incerto o que isso significa para os pagamentos de 83,5 bilhões de dólares em juros de títulos negociados em dólar que vencem na quinta-feira.

A Evergrande não respondeu imediatamente a perguntas sobre seu acordo ou suas intenções.

Mas o movimento, somado à promessa do presidente Hui Ka Yuan esta semana de “sair deste momento mais sombrio”, animou os investidores e aliviou os mercados.

“Esses eventos parecem sugerir que a empresa está assumindo controle da situação e tentando seu melhor para encontrar uma solução com os credores”, disse Dexter Tan, analista sênior de renda fixa da Bondsupermart.com.

(Reportagem de Anshuman Daga em Cingapura, Andrew Galbraith e Samuel Shen em Xangai. Reportagem adicional de Hideyuki Sano em Tóquio, Clare Jim em Hong Kong e Gabriel Crossley em Pequim)

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