O mercado dos aplicativos de entrega, de pagamento e dos super apps vive uma guerra de preços e ofertas para atrair o consumidor. Rappi, iFood, Uber Eats e Loggi, para citar as maiores do setor, fazem campanhas agressivas de forma recorrente. O James Delivery, o app de entregas do GPA (dono do Pão de Açúcar e do Extra), decidiu apostar e priorizar a experiência do consumidor para prevalecer nessa disputa acirrada.

Não que o James não faça ofertas ou campanhas como oferecer o frete grátis. Isso também está presente. Mas o plano é não ser tão agressivo como os principais concorrentes. É uma estratégia ousada. Os principais fatores que determinam a escolha de um aplicativo pelo consumidor são preço, variedade de produtos e serviços e tempo de entrega. A experiência passa pelo terceiro item, mas pode ser insuficiente para atrair o consumidor.

O que diz o James? “As principais empresas estão todas capitalizadas. Dinheiro não é mais o diferencial competitivo para atrair o consumidor. E o delivery em si se tornou commodity, todo mundo oferece”, diz Lucas Ceschin, um dos sócios fundadores do James Delivery, que foi adquirido pelo GPA há um ano.

Segundo ele, cada competidor vai precisar de uma área de especialização para se diferenciar nessa disputa. “A nossa vantagem é e será cada vez mais a experiência no varejo alimentar”, afirma o empreendedor.

O que significa “experiência do consumidor”? Ceschin diz que ela se traduz em acesso ao estoque do grupo varejista em tempo real, na criação de áreas operacionais em supermercados e na contratação de shoppers hoje presentes em 200 lojas — são pessoas dedicadas a buscar nas prateleiras os produtos adquiridos no aplicativo. Tudo isso somado, o tempo de entrega é menor para quem faz a compra pelo aplicativo.

O objetivo é conhecer cada vez mais o perfil do consumidor para oferecer um serviço customizado.

Vale lembrar que, ao adquirir o James, o GPA decidiu encerrar a parceria que mantinha com o Rappi. Isso significa que entregadores desse app precisam buscar os produtos nas prateleiras.

Qual o tamanho do James? E quais os planos? Com a integração concluída com a plataforma do GPA, os números do ano são encorajadores. O aplicativo chegou a 12 cidades no fim do terceiro trimestre, espalhadas pelas cinco regiões do país. A previsão é que o James chegue a 25 municípios no fim de 2020. O número de pedidos pelo aplicativo já representa mais da metade do total nas lojas em que está presente.

Atualmente, além dos produtos no Pão de Açúcar e no Extra, é possível contratar serviços domésticos no GetNinjas, comprar botijão de gás na Ultragaz, alugar um patinete na Lime e pedir refeições em restaurantes. Também é possível comprar remédios em farmácias das redes Pague Menos e Drogaria Extra. É possível que as unidades da RD (RaiaDrogasil) entrem no app com a parceria recém-anunciada para um programa de fidelidade unificado com o GPA, mas essa informação não foi confirmada.

O que vem pela frente? “Temos planos de manter o crescimento acelerado em 2020”, diz Ceschin. Além da expansão geográfica, o objetivo é incorporar novas “verticais” ao aplicativo, nome dados aos serviços disponíveis para os usuários. Uma das obrigatórias na guerra dos super apps é a “vertical” dos serviços financeiros, que incluem desde meios de pagamento — via QR Code ou cartão de crédito — até a oferta de crédito. O empreendedor diz que está com negociações em andamento, mas não antecipa os nomes.

“O objetivo é ser o melhor aplicativo de supermercado”, afirmou o sócio do James.

As lojas físicas terão espaço menor com o crescimento do delivery? Ceschin diz que não. “Os perfis são diferentes. São momentos complementares de consumo. Além disso, oferecemos no aplicativo serviços que não estão disponíveis nas lojas. Por outro lado, a oferta de produtos é maior nos supermercados.”

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).