Nunca se vendeu tanto consórcio como em 2020. Foram comercializadas 3,02 milhões de novas cotas, um aumento de 5,2% em relação a 2019. Em negócios, o crescimento foi de 21,5%, totalizando R$ 163,63 bilhões, segundo a Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios).

Paulo Roberto Rossi, presidente da Abac, disse que esse desempenho recorde não foi linear ao longo de 2020. “Em abril, por conta da pandemia, as vendas despencaram. Foi o pior mês do ano. Mas a partir de maio tivemos um crescimento em V que nos surpreendeu.”

O que explica esse aumento? Para Rossi, o consumidor ficou mais atento às finanças em 2020, prestando atenção ao rendimento dos investimentos e ao custo do crédito.

“Com os juros muito baixos, o consumidor procurou novas formas de investir e acumular patrimônio. Com o consórcio, ele pode adquirir um carro, um imóvel e sem pagamento de juros. No consórcio, ele paga uma única taxa que se dilui ao longo do prazo.”

Quais os consórcios mais vendidos? Em quantidade, os segmentos com mais consorciados são os de veículos, motos e imóveis, coincidentemente aqueles que existem há mais tempo no mercado.

Em crescimento de vendas, os destaques de 2020 foram os consórcios de serviços e de eletrodomésticos/eletroeletrônicos/bens duráveis. Em serviços entra quase tudo, desde pacotes de viagem e festas de formatura até cirurgias plásticas.

“Apesar de já estar há 12 anos no mercado, a modalidade serviços ainda não é tão conhecida. Conforme vai ficando conhecida, seu desempenho vai melhorando. No consórcio de serviços, a pessoa pode pegar a carta de crédito para pagar a faculdade do filho ou contratar outro serviço que quiser”, afirma Rossi.

Dá para usar o consórcio de serviço para comprar um carro ou moto? Não. A carta de crédito obtida com o consórcio de serviços só pode ser usada nessa categoria. Da mesma forma que a carta de crédito de veículos não pode ser usada para comprar um imóvel ou outro bem.

Para quem serve o consórcio? Para começo de conversa, é preciso saber se você precisa daquele bem ou serviço imediatamente ou se pode esperar. É que no consórcio a pessoa só receber a carta de crédito quando é sorteada ou faz lances, o que pode levar tempo.

“O consórcio é uma ótima ferramenta de planejamento de compras e serviços. É preciso entrar nele já tendo um objetivo, sabendo o que quer comprar com o dinheiro que vai receber”, afirma a planejadora financeiro CFP Eliane Metzner.

Exemplo: se você precisa de um carro para começar a trabalhar com ele agora, pois precisa fazer renda, o consórcio não é o produto mais indicado para realizar essa compra. Mas se já tem um carro e quer trocá-lo daqui a alguns anos, o consórcio é uma boa forma de planejar a aquisição.

Compensa financeiramente fazer um consórcio? Eliane diz que sim. “Se você comparar o financiamento com o consórcio, o custo do consórcio vai ser muito menor. O consórcio tem uma taxa para todo o período de pagamento. Dependendo da administradora, vai ser uma taxa de 8% a 10% para um período de até 10 anos. Dilui isso ao mês.”

Mas a parcela tem reajuste? Tem. Como o valor da carta de crédito é corrigida, as prestações mensais também são reajustadas de acordo com um índice definido em contrato. Por isso, é preciso prestar atenção a esse detalhe, pois alguns indicadores – caso do IGP-M – subiram muito mais que o IPCA.

As administradoras dizem que o normalmente aplicam o índice que costuma ser aplicada para aquela categoria de bem: tabela Fipe para veículos ou INCC para imóveis.

Para quem o consórcio não é indicado? Eliane diz que o consumidor precisa ver se o valor da parcela cabe no bolso dele, pois não dá para se endividar para fazer consórcio e muito menos ficar inadimplente. Quem não deve fazer consórcio, segundo ela:

  • Quem não tem um objetivo de compra de bem ou serviço
  • Não tem renda para pagar a parcela

“A parcela não pode comprometer a renda a ponto de inviabilizar o pagamento. Outro cuidado é que se a pessoa for sorteada logo no começo, a administradora pode segurar a carta de crédito se achar que ela não tem renda para pagar o consórcio até o fim”, diz Eliane.

Que cuidados tomar ao pesquisar um consórcio? Para a planejadora financeira, o interessado em adquirir um consórcio precisa fazer uma pesquisa de mercado antes de decidir a administradora que cuidará de seu dinheiro.

Veja outros cuidados:

  • Procure apenas uma administradora autorizada a funcionar pelo Banco Central
  • Pesquise a reputação do administrador
  • Pesquise o histórico de contemplações do consórcio
  • Verifique se o valor do crédito e o prazo de duração do grupo constam no contrato
  • Confira os percentuais de contribuições (taxa de administração e, se houver, fundo de reserva e/ou seguro) e as demais despesas que serão cobradas
  • Confira o critério de correção que será aplicado pela administradora e as garantias que deverá fornecer para retirar o bem ao ser contemplado;
  • Certifique-se de que aquilo que foi prometido consta do contrato. Desconsidere promessas verbais: todos os direitos e obrigações do consorciado devem estar estabelecidos no contrato.

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