Com a volatilidade da Bolsa, o investidor que escolhe manter uma fatia do portfólio em ações não quer saber de errar. Afinal, ele precisa de bons motivos para resistir à tentação de migrar seu capital para a segurança da renda fixa, cada vez mais atrativa com as remarcações da taxa Selic.

Por isso, a ajuda de especialistas que acompanham o mercado e sabem avaliar as empresas é providencial na hora de escolher quais ações comprar ou manter. E as carteiras recomendadas das corretoras podem ser bons atalhos, ainda que não sirvam para todo mundo. Afinal, elas não levam em conta o perfil de cada investidor e o que ele já tem no portfólio.

Neste mês, o 6 Minutos analisou as carteiras de ações recomendadas por 11 casas: Ativa, BTG Pactual, CM Capital, Genial, Guide, Inter, MyCap, Órama, Toro, Warren e XP. Destacamos abaixo os papéis que obtiveram pelo menos 4 (quatro) indicações. Veja quais foram eles.

Rede D’Or (RDOR3) – 5 indicações

A Rede D’Or é líder no mercado hospitalar privado brasileiro, com 9.611 leitos, sendo 91% deles distribuídos em 58 hospitais, além de ter a maior rede integrada de tratamento oncológico do país. Os fortes resultados do 2º trimestre de 2021 impressionaram as casas de análise e mostraram que a companhia consegue resistir bem a choques tanto internos como externos.

Desde o IPO, a companhia já assinou acordos para adquirir 11 ativos, acrescentando cerca de 1,7 mil leitos à sua rede, e não dá sinais de que pretende parar com as aquisições. Nesse ritmo, os investidores podem esperar um crescimento sólido pela frente.

O BTG Pactual afirma que o valuation da Rede D’Or não é tão elevado quanto se pensa. “Acreditamos que os (altos) múltiplos de negociação da empresa (22x EV/EBITDA 22 e 50x P/L 22) são bem merecidos, dadas suas fortes perspectivas de crescimento de lucros (crescimento de LPA de 30% ao ano pelos próximos 3 anos), poder de lucro atraente e sólida estratégia de aquisições. Em tempos de forte volatilidade, sendo uma vencedora a longo prazo, ela beneficiar do comportamento de investidores de ‘fuga para ativos de maior qualidade’ nos próximos meses”, escreve o banco.

Weg (WEGE3) – 5 indicações

A Weg tem escopo de atuação muito amplo – a fabricação de motores é apenas uma de suas facetas. E sabe olhar para o futuro, já que algumas de suas atividades se relacionam com temas como eficiência energética e fontes renováveis, o que coloca a companhia ainda mais em evidência nestes tempos de agenda ESG.

“Em uma abordagem estratégica, a Weg traz defensividade ao portfólio em caso de agravamento da crise hídrica, pois destaca a importância de diversificar a matriz energética do Brasil para outras fontes, como fontes eólicas e solares”, escreve o BTG Pactual. “Olhando para o longo prazo, a Weg está significativamente exposta à tendência de eletrificação da indústria automotiva, com várias montadoras transferindo os investimentos de veículos de combustão para trens de força elétricos. E outras tendências estão aumentando a digitalização da manufatura e a eficiência do consumo de energia em todo o mundo.”

A MyCap destaca as vantagens e oportunidades trazidas à empresa por sua exposição internacional. “A companhia desenvolve soluções para atender as necessidades voltadas à eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica e possui operações industriais em 12 países e presença comercial em mais de 135 países. Isso eleva sua atratividade e dilui riscos específicos regionais e de câmbio”, diz a corretora. “Ampliando a presença nos EUA, ela poderá se beneficiar dos estímulos de investimentos na área de infraestrutura.”

Vale (VALE3) – 5 indicações

A queda do mercado de minério de ferro, em meio às incertezas vindas da China, afetou o desempenho da Vale, que caiu cerca de 15% no mês. “No entanto, continuamos otimistas com a Vale devido à forte geração de caixa, mesmo considerando os preços atuais da commodity”, ponderou a XP.

A Ativa acredita que a demanda da China pelo minério deve ser menor que na primeira metade do ano, em razão não só da desaceleração das atividades do setor de construção no país, mas também das limitações na produção de aço, causadas por restrições ambientais. “Assim, há uma maior possibilidade de enxergarmos o preço da commodity abaixo dos níveis atuais nos próximos períodos, porém ainda em patamares muito confortáveis para a companhia, favorecendo a geração de caixa e distribuição de proventos”, escreve a corretora.

Itaú Unibanco (ITUB4) – 4 indicações

Maior banco privado do país em termos de carteira de crédito, o Itaú teve bons resultados em relação a 2020, apesar da fraca base comparativa. Contribuíram para essa alta, principalmente, o aumento de participação na frente digital, o incremento na receita com tarifas e o bom momento do mercado de capitais.

“Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor”, prevê a Guide.

O setor passa por diversos desafios, como a concorrência com fintechs e bancos digitais, o open banking (que obriga os bancos a compartilhar informações com outras instituições, a pedido do cliente, eliminando barreiras de entrada) e a alta da CSLL de bancos (de 20% para 25%). Apesar disso, a Guide vê motivos para recomendar o papel, como a cisão de participação na XP, a perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos e, ainda, possíveis aquisições, já que o Itaú tem um bom histórico nesse sentido.

Klabin (KLBN11) – 4 indicações

A Klabin S/A é a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil e também possui negócios relacionados à celulose, embalagens de papelão ondulado e madeiras. “No cenário atual, ela tem se beneficiado em todos os seus segmentos: embalagem para alimentos e bebidas, tissue (papel higiênico e lenços de papel), e caixas de papelão para transporte dos produtos no e-commerce. Os volumes crescentes nas vendas, tanto de papel quanto de celulose demonstram este cenário positivo”, diz a Guide.

Como já opera com capacidade máxima de produção, novos avanços na receita dependem de uma melhora nos preços da celulose e também do sucesso do Projeto Puma II, que começou na última semana de agosto. “Ao definir que a segunda máquina do Puma II atenderá ao segmento de papel cartão, a Klabin mostra que segue focada na execução de projetos que lhe proporcionem maior rentabilidade a longo prazo”, escreve a Ativa. “Se os resultados forem favoráveis, a empresa poderá começar um processo de desalavancagem.”

Vamos (VAMO3) – 4 indicações

Parte do grupo Simpar (ex-JSL), a Vamos fornece caminhões e máquinas pesadas para os segmentos do agronegócio, energia, transporte e alimentos. Sua atuação é integrada: compra, venda, locação e manutenção dos veículos. A frota tem mais de 15 mil ativos (caminhões e máquinas), com prazo de locação médio de 5 anos, o que garante previsibilidade de receita, facilitando a alocação de capital e seu crescimento. Outro diferencial é sua rede bem capilarizada, com cerca de 2,5 mil oficinas credenciadas ao redor do país.

A Guide avalia que esse é um mercado com grande potencial de crescimento e baixa competição: há muitos players de pequeno porte atuando, o que gera oportunidades de consolidação através de aquisições, mas também via crescimento orgânico. “O resultado da Vamos no 2T21 mostra o bom momento do setor de locação de caminhões, em função do crescimento dos setores de commodities e alimentos. A companhia deve manter um ritmo de investimentos ao redor de R$ 1 bilhão ao trimestre para garantir o crescimento do número de ativos e consequentemente a receita da companhia”.

O BTG se diz otimista com a tese de crescimento da Vamos para os próximos anos. “Esse segmento deve se expandir substancialmente, mediante menor custo de capital e crescente conscientização sobre os benefícios da terceirização de veículos. A Vamos tornou pública sua meta de longo prazo de aumentar sua frota 6 vezes até 2025, chegando a aproximadamente 100 mil caminhões. Durante o ano, a empresa cresceu bem acima das expectativas, tanto na perspectiva orgânica quanto na inorgânica (a empresa entregou 4 fusões e aquisições desde o IPO)”, afirma.

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