Comprar ações é se tornar sócio de uma empresa e passar a ganhar um pedacinho dos seus resultados. Para pessoa física, embora a valorização das cotas ao longo também seja interessante, o principal resultado buscado com o investimento é o pagamento de dividendos.

A Economática fez um levantamento dos dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos por 246 empresas de capital aberto ao longo da década terminada em 2020, ou seja, de 2011 a 2020. A Vale ficou de fora da amostra porque seu volume de proventos destoa demais das outras empresas.

De acordo com a pesquisa, 2020 foi minguado em termos de dividendos: o volume distribuído no ano do surgimento do coronavírus foi de R$ 91,3 bilhões, uma queda de 29,3% sobre 2019, quando foram pagos R$ 129,1 bilhões em proventos. O pior ano da amostragem foi 2016 quando as empresas distribuíram R$ 66,9 bilhões.

Quais foram os setores que mais distribuíram dividendos? Os Bancos lideraram o ranking em todos os anos. Na segunda posição, apareceu o setor de Energia, nos anos de 2011 a 2014 e também em 2019. Já entre 2015 e 2017, a vice-liderança ficou com Alimentos & Bebidas e, em 2018, o segundo melhor pagador foi o setor de mineração.

Em 2020, oito dos 27 setores analisados registram em 2020 crescimento na distribuição de dividendos e JCPs. Seis deles tiveram no ano passado a distribuição mais gorda da década: Mineração, Seguros, Construção, Água & Esgoto, Bolsa de Valores e Máquinas Industriais.

Por outro lado, outros oito setores tiveram em 2020 quedas de mais de 50% no pagamento de dividendos. O maior tombo foi o do setor químico: -83%. Bancos pagaram 47,7% a menos.

Quais foram as empresas que pagaram um maior volume de dividendos em 2020? A Vale venceu, com folga, tendo pago R$ 18,7 bilhões, seguida pelo Itaú Unibanco (R$ 12 bilhões) e Santander Brasil (R$ 10,2 bilhões). Depois vieram AmBev (R$ 6,8 bilhões), Petrobras (R$ 6,6 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 6 bilhões).

Entre as 20 maiores distribuidoras temos, com quatro empresas, os setores de Bancos e Energia Elétrica. Alimentos & Bebidas participam com três empresas, Petróleo & Gás e Telecomunicações com duas empresas e outros cinco setores com uma só empresa.

Oito empresas tiveram em 2020 o maior valor distribuído em dividendos em toda a década: Vale, Santander, B3, CPFL Energia, TIM, Taesa, Copasa e Cyrela.

Quem pagou o maior dividend yield no período? A Economática também monitorou a evolução da mediana do dividend yield (quanto cada empresa paga de dividendos por ação) ao longo da década e quais foram as empresas que tiveram melhor desempenho nesse quesito.

O melhor momento da década aconteceu em 2011, quando a mediana foi de 3,32%. O yield caiu entre 2011 e 2013, cresceu entre 2013 e 2015, voltou a cair entre 2015 e 2017, cresceu novamente entre 2017 e 2018 e mais uma vez caiu entre 2018 e 2020, quando registrou seu pior momento, com 1,30% de mediana.

Entre as 20 ações com melhor mediana, quem se destacou foram as units da Taesa, com mediana de 12,43%. O menor dividend yield da década da TAEE11 foi de 8,01% e o maior, de 27,64%.

A ação preferencial da Cemig (CMIG4) é a segunda da lista, com mediana de 9,09%. Depois dela, vieram Comgas, Telefônica, Copel, Ferbasa, Santander, Sanepar, ISA-CTEEP e Banco do Brasil.

Na amostra das vinte melhores, temos sete ações de Energia elétrica, seis de Bancos e duas de Minerais metálicos. Cinco setores aparecem com uma única ação.

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