O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado no dia 26 de fevereiro. Mais de dois meses se passaram e, desde então, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, caiu mais de 30%. O tombo levou junto pequenos investidores que há pouco haviam chegado à bolsa. Eles se arriscaram na renda variável motivados pelo sonho da rápida valorização da bolsa e pelo cenário de queda dos juros.

Só que o coronavírus trouxe consigo a crise e escancarou que muita gente estava se esquecendo de princípios básicos de investimentos.

O 6 Minutos conversou com Sigrid Guimarães, sócia e CEO da Alocc Gestão Patrimonial, para recapitular as lições que qualquer investidor deve seguir, esteja o mercado de ações animado, se valorizando, ou tenso, em queda.

1. Tenha um bom dinheiro guardado antes de pensar em investir em ações

Lembra das expressões colchão de liquidez ou reserva de emergência? Eles são um porto seguro em horas como essa, de crise intensa e de duração incerta. Sigrid define “bom dinheiro” como uma quantidade equivalente a 12 meses do seu custo de vida mensal. Ou seja, a reserva financeira precisa te bancar por pelo menos um ano. Se você perder o emprego ou ter redução salarial, não ficará no sufoco.

Sigrid ressalta que o custo de vida mensal não é só com comida, aluguel e mensalidade da escola. Ele precisa incluir um pouco de lazer como cinema, cafezinho ou uma rara ida a um restaurante.

Sim, acumular 12 meses de custo mensal parece muito. Mas foque no longo prazo e na segurança das suas contas, e fique firme em não aplicar em ações antes de formar essa reserva financeira.

Detalhe: não acumule esse dinheiro na conta corrente. Opte por fundos de renda fixa, CDBs dos bancos tradicionais e fuja de fundos de crédito privado, sugere Sigrid. Deverá render menos que ações, mas o objetivo desse montante não obter retorno financeiro.

2. Cuidado com o efeito manada

As notícias de Ibovespa em alta e juro em baixa estimularam investidores a se aproximarem da bolsa. Mas entrar no mundo de ações porque “o mercado está aquecido” é sinônimo de efeito mandada. Não é uma boa estratégia.

Sigrid vê muita gente entrando no mercado quando ele já está valorizado – e os ativos, caros. Mas as pessoas também saem quando o mercado se desvaloriza e os preços caem. “O investidor acaba vendendo por medo e por um valor menor do que comprou. Por causa do efeito manada, ele perde dinheiro”.

3. Diversificação precisa ser o mantra do investidor

Ok, dessa vez a queda das ações foi generalizada. Mas a desvalorização não foi intensa em todos os setores e empresas, e a recuperação será mais rápida para umas empresas do que para outras.

A crise trouxe de volta a lição de que não se deve concentrar todo dinheiro em um único setor ou empresa. “Se diversifica, o patrimônio não é todo impactado”, diz Sigrid. Ela sugere a aplicação em fundo de ações ou multimercados. “Ali há pessoas treinadas para balancear os aportes nas ações”.

4. Na bolsa, o retorno financeiro vem no longo prazo

Não se pode investir na bolsa de valores pensando que grandes retornos financeiros virão em semanas ou meses. Só se compra ação quem está disposta a esperar por pelo menos 5 anos para ver aquele dinheiro render de forma significativa e sustentada.

Esse é outro motivo pelo qual não se pode comprar ações com recursos que o investidor vá precisar nos próximos meses: no curto prazo, o ativo pode perder valor. A aposta na bolsa deve ser para o médio e longo prazo.

5. Peça ajuda e monte uma alocação ideal para você

Não existe receita de bolo para escolher as melhores ações ou fundos de investimento. Portanto, não comece a comprar ações baseadas em um relatório apenas ou o que um formador de opinião recomendou. Cada ativo tem suas individualidades, riscos e potenciais.

Como o mercado está mais desenvolvido e analistas de investimento estão mais acessíveis, experimente contratar um para te ajudar a montar sua carteira baseado na quantidade de recursos que você tem. Vocês deverão conversar sobre o perfil de investidor (conservador? moderado? qualificado?), qual o objetivo do investimento e se você quer resgatar o dinheiro em 5, 7 ou 10 anos, por exemplo.

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