Pode ser difícil de acreditar, mas para determinados títulos do Tesouro Direto, programa de investimento baseado em títulos públicos, o ano foi igual ou até melhor do que a relevante alta do Ibovespa.

Enquanto o índice de referência da bolsa subiu 27,03% nos últimos 12 meses, o Tesouro IPCA+ 2045, vinculado à inflação, se valorizou em 48,43% no mesmo período. Outro título campeão em 2019 foi o “irmão” deste, o IPCA+ 2035, que subiu 31,43%.

À primeira vista, os números podem impressionar, mas é importante saber que o tempo de maior valorização desses títulos ficou para trás. A razão é a perspectiva de que a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, deixe de cair ou até volte a subir nos próximos meses. São os juros baixos que tornam os títulos contratados anteriormente a condições mais vantajosas, mais caros.

“O momento passou. A Selic até deve continuar mais baixa por algum tempo, mas a valorização esperada para os títulos, em decorrência dessa queda na taxa, já aconteceu”, argumenta André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton.

Como funciona a valorização dos títulos públicos? O Tesouro Direto é uma plataforma de acesso facilitado, por meio de um banco ou corretora, ao investimento em títulos do Tesouro Nacional. Na prática, a compra de um título consiste em um “empréstimo” ao Estado, que será pago nas condições acertadas, que incluem uma data de vencimento e um critério de rentabilidade.

Essa rentabilidade pode ser pré-fixada (ou seja, seguir um percentual pré-definido) ou pós-fixada, indexada a um índice — em geral, a própria Selic ou a inflação oficial (IPCA). Quando se fala na valorização dos títulos, o que está em jogo é a possibilidade de que o investidor revenda esse “crédito” antes da data de vencimento.

Caso o investidor mantenha a aplicação até o prazo final, ele recebe os valores corrigidos pelas condições estipuladas. O que não impede, no entanto, que ele se desfaça do título no decorrer, recebendo o valor equivalente ao papel naquele momento — hoje valorizado.

Como a taxa de juros caiu, os títulos comprados anteriormente — ou seja, a condições pré-estipuladas melhores — passam a valer mais. A exceção fica por conta do Tesouro Selic, que se valoriza diariamente de acordo com a taxa de juros vigente e, portanto, não oscila da mesma maneira.

Meu título se valorizou mas eu não vendi. Perdi uma oportunidade? Devo vender agora? Quando se trata de investimentos, não há uma receita padrão. Os títulos de maior valorização são aqueles com prazos mais longos de vencimento e que não pagam juros semestrais, sendo aqueles papeis que tradicionalmente recomendados para a aposentadoria, por exemplo.

Aproveitar as condições de momento implica em abrir mão das condições pactuadas quando o investimento foi feito. Por isso, o essencial é que o investidor considere qual é a sua intenção com esse investimento e o que faria se eventualmente vendesse o título e resgatasse os valores.

A existência de alguma grande pendência financeira com vencimento próximo, para a qual você necessite dos recursos, ou outra oportunidade mais vantajosa de investir já mapeada podem ser boas razões para isso.

Mas fique atento: a valorização do título reflete justamente o fato de que as condições previstas nele são vantajosas em relação a outros produtos semelhantes em oferta, o que significa, portanto, que não é tão simples encontrar uma outra opção melhor de alocação.

Outro aspecto importante a frisar é que esses títulos já estiveram ainda mais valorizados há poucos meses, já tendo perdido boa parte dessa vantagem com as perspectivas mais moderadas para os juros.

Da mesma forma, ao longo dos próximos 15 ou 25 anos, seguindo o exemplo dos investimentos citados acima, a tendência é que essas taxas e os preços dos títulos ainda oscilem muito, proporcionando novas futuras oportunidades de realização de lucros. “A maior oportunidade de ganhar dinheiro com Tesouro Direto acontece nos momentos de fechamento da curva de juros”, explica André Perfeito, da Necton.

Os rendimentos dos títulos nos últimos 12 meses:

De acordo com o Tesouro Nacional. Informações consultadas em 08/01/2010.

TítuloVencimentoRentabilidade em 12 meses
IPCA+ 204515/05/2045+48,43%
IPCA+ 203515/05/2035+31,43%
IPCA+ com Juros Semestrais 205015/08/2050+26,85%
IPCA+ com Juros Semestrais 204515/05/2045+25,51%
IPCA+ com Juros Semestrais 203515/05/2035+23,63%
Prefixado com Juros Semestrais 202901/01/2029+22,78%
IGPM com Juros Semestrais 203101/01/2031+22,61%
Prefixado 202501/01/2025+21,67%
Prefixado com Juros Semestrais 202701/01/2027+20,68%
Prefixado com Juros Semestrais 202501/01/2025+18,16%
IPCA+ 202415/08/2024+17,62%
IPCA+ com Juros Semestrais 202615/08/2026+17,24%
Prefixado 202301/01/2023+16,46%
IPCA+ com Juros Semestrais 202415/08/2024+16,01%
Prefixado com Juros Semestrais 202301/01/2023+14,79%
IGPM com Juros Semestrais 202101/04/2021+13,85%
Prefixado 202101/01/2021+10,15%
Prefixado com Juros Semestrais 202101/01/2021+9,82%
IPCA+ com Juros Semestrais 202015/08/2020+8,36%
Tesouro Selic 202101/03/2021+5,91%
Tesouro Selic 202301/03/2023+5,90%

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