A calmaria dos investidores em relação à pandemia do coronavirus parece ter chegado ao Tesouro Direto. A melhora nas perspectivas quanto ao rumo da doença fez com que em junho todos os títulos públicos negociados acumulassem variação positiva — embora os de longo prazo continuem rendendo bem pouco, até abaixo da inflação.

O destaque ficou com os títulos cujo rendimento é determinado pelo IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), índice inflacionário conhecido por reajustar os aluguéis. Veja abaixo o desempenho dos títulos do Tesouro Direto em junho e no acumulado do ano:

TítulosVencimentoÚlt. 30 diasNo ano
Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais01/01/20312,68%4,38%
Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais01/04/20212,49%5,43%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20301,37%-
Tesouro IPCA+15/05/20451,07%-15,81%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20200,92%0,64%
Tesouro Prefixado01/01/20260,84%-
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/05/20350,84%-4,05%
Tesouro IPCA+15/05/20350,78%-9%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20270,71%4,07%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20240,71%3,57%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20250,67%5,69%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20290,67%2,75%
Tesouro Prefixado01/01/20250,66%5,46%
Tesouro IPCA+15/08/20240,66%3,86%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20310,58%-
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20230,49%6,32%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20260,48%2,43%
Tesouro Prefixado01/01/20230,45%6,74%
Tesouro IPCA+15/08/20260,42%-
Tesouro Prefixado01/01/20220,39%5,86%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20400,35%-
Tesouro Prefixado01/01/20210,26%0,0
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais01/01/20210,26%3,34%
Tesouro Selic01/03/20210,21%1,73%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/05/20550,20%-
Tesouro Selic01/03/20230,19%1,68%
Tesouro Selic01/03/20250,17%1,65%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/05/20450,08%-9,03%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais15/08/20500,06%-10,42%

Por que os títulos calculados pelo IGPM estão indo bem? A pandemia do coronavírus baqueou a maior parte dos títulos do Tesouro por causa da mudança nas perspectivas para a economia. Com a queda na atividade econômica, o Banco Central voltou a cortar os juros, e a inflação deve seguir mais baixa daqui para a frente.

Quando se fala em inflação, é mais comum que a variação de preços seja indicada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). É ele quem acompanha o custo dos principais itens e serviços consumidos pelos brasileiros.

O IGP-M também mede a variação de preços de itens do dia-a-dia, mas o peso de cada produto é diferente. Os bens industrializados, que são fortemente influenciados pelo dólar, têm uma importância maior no cálculo do IGP-M, por exemplo.

Isso criou uma diferença significativa nos dois índices inflacionários. O IPCA acumula uma alta de 1,88% nos últimos 12 meses, enquanto o IGP-M subiu 7,3%.

A questão é que o dólar deve permanecer valorizado no médio e longo prazo. A pesquisa Focus, elaborada pelo Banco Central, prevê que a moeda americana estará na casa dos R$ 5,20 no final do ano. Isso indica que o IGP-M continuará a ser pressionado pelo câmbio e, por isso, o retorno dos títulos indexados por essa medida seguirá mais alto do que o dos títulos atrelados ao IPCA.

Por que os títulos de longo prazo acumulam baixa de até 15% no ano? Com a piora das perspectivas econômicas, os títulos de longo prazo perdem a atratividade. Isso porque as previsões mais longas ficam mais incertas — não se sabe como o PIB, a inflação ou outros indicadores andarão.

É mais difícil acertar o preço justo por esses títulos, então muitos investidores decidem vendê-los no mercado secundário, o que causa esse “desconto” no valor do título.

Pode explicar melhor? Os títulos do Tesouro têm datas de vencimento específicas, mas o investidor pode decidir vendê-los antes desse prazo. Se fizer isso, ele não estará resgatando o título e sim vendendo-o no mercado secundário. O preço do título é estabelecido pela chamada marcação a mercado, e é influenciado por dois fatores: a oferta e demanda pelo título e as condições da economia do país.

E por que os títulos do Tesouro prefixados estão subindo? Esses títulos são beneficiados por dois fatores. O primeiro é a data de vencimento mais próxima — se perceber que as condições não estão boas e decidir segurar o título até o vencimento, o investidor receberá o retorno contratado. O segundo é a previsibilidade: é mais fácil calcular o que acontecerá em um horizonte de até cinco anos.

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