A inflação está em disparada, o risco fiscal e a tensão política sobem a cada dia e as sinalizações são de que o Banco Central subirá a Selic mais do que o mercado esperava. Em um cenário em que a Bolsa já caiu mais de 7% do final de julho para cá, o investidor brasileiro está voltando a olhar com muito mais atenção para a renda fixa.

Dados da plataforma de comparação de investimentos Yubb mostram que o tipo de aplicação mais procurado pelos brasileiros em julho foram os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), seguidos do bom e velho Tesouro Direto. Já os fundos de ações e multimercados (que combinam renda fixa e variável) amargaram o terceiro e quarto lugar nesse ranking.

“Temos visto a abertura da curva de juros por causa do fiscal, da tensão política e da inflação. Tudo isso faz com que os prêmios dos títulos públicos acabem ficando mais altos. Por outro lado, esses papéis também ficam mais baratos, o preço se reduz, e essa pode ser uma oportunidade para alocação”, explica Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos.

Além do Tesouro Direto, muitos bancos estão aumentando o retorno que pagam por seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) como forma de atrair clientes. Paralelamente, vem crescendo também o interesse por crédito privado.

Para Gabriel Mallet, head de renda fixa da Vitreo, as aplicações mais conservadoras nunca deixaram de ocupar um lugar importante no coração dos brasileiros. “A gente sentiu uma redução dos investimentos em renda fixa, mas a verdade é que o brasileiro não topa tomar tanta volatilidade. E agora essa procura voltou”.

Afinal, para quem está pensando em aplicar na renda fixa, quais as melhores opções? Veja abaixo.

CDBs pagam até 220% do CDI

Em um cenário em que o mercado já espera que a Selic, hoje em 5,25% ao ano, alcance 7,5% até o final de 2020, muitos bancos estão elevando as taxas de CDBs para atrair clientes.  O CDB é uma aplicação que funciona como um empréstimo do investidor para instituições financeiras, que o remunera com juros. Ela é garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no valor de até R$ 250 mil investidos.

Para quem acha o produto interessante, um caminho pode ser aproveitar a série de ações promocionais com CDBs de instituições financeiras para atrair clientes.

A XP, por exemplo, oferece um título do Banco XP que rende 200% do CDI e que vence em novembro deste ano, direcionado a novos clientes. O investimento máximo é de R$ 10 mil, e a campanha está disponível até 9 de setembro. Outro exemplo é a Genial Investimentos, que oferece 220% do CDI, também com prazo de três meses e investimento máximo de R$ 10 mil, para entrantes ou para clientes antigos que tragam novos à corretora.

É importante frisar que essas são ações promocionais, com prazo curto de vencimento. Entretanto, é possível encontrar produtos mais permanentes com boas taxas.

“Essa é uma aplicação interessante para reserva de emergência, desde que o banco tenha uma boa qualidade de crédito, liquidez diária e pague pelo menos 100% do CDI”, aponta Dolle, da XP. “Para obter um rendimento maior que esse, pode fazer sentido começar a se expor aos CDBs de bancos médios, com atuação em nichos específicos, que possuem um retorno maior”.

Tesouro Direto

Em um momento em que o governo dá sinais de que vai gastar mais do que deveria a um ano das eleições presidenciais, as curvas de juros estão subindo, o que vem elevando a rentabilidade de títulos do Tesouro Direto.

O Tesouro Prefixado 2024, por exemplo, já está pagando uma taxa acima de 9%, e o título prefixado com vencimento em 2031, acima de 10%. “Hoje as taxas estão mais atraentes do que há um mês. E os juros melhoraram inclusive para prazos não tão longos, que podem fazer mais sentido para parte dos investidores”, afirma Dolle.

Em um momento de inflação crescente, os papéis que são vinculados à variação de preços vêm provocando bastante interesse. “Hoje os queridinhos são os títulos atrelados ao IPCA [índice oficial de inflação]. Em um momento em que as curvas de juros estão muito abertas, já tem título para vencimentos mais longos pagando o IPCA mais 4,1%”, diz Mallet, da Vitreo.

Dolle lembra que o momento não é para o investidor vender títulos que eventualmente possua na carteira, já que essa alta dos juros futuros desvaloriza os papéis no presente por causa da marcação a mercado.  “Esse não é o momento para resgatar. É claro que se a pessoa precisa daquele dinheiro, não tem o que fazer, mas o ideal é manter o papel”, aconselha.

Crédito privado

Por fim, o crédito privado consiste em títulos de dívidas emitidos por empresas, como debêntures, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários, que financia transações no mercado imobiliário) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio, que faz o mesmo em agronegócios).

Da mesma forma que o governo remunera aplicadores que compram títulos de sua dívida, o setor privado também capta recursos no mercado como uma forma de se financiar e investir em projetos. Como no caso de outras aplicações, esses papeis pagam mais ou menos dependendo do risco.

Se houver interesse por esse tipo de papel, o conselho é fazer uma seleção cuidadosa.

“O que é interessante é que há uma diversidade grande de emissores, de riscos e prazos diferentes. A escolha de um bom papel tem que ser como se fosse uma ação, entendendo os riscos atrelados. É preciso saber muito bem quem é a empresa, ter uma visão global do ativo antes de fazer uma escolha”, afirma Dolle.

A analista da XP ressalta ainda que nunca se deve concentrar uma parcela grande do patrimônio em apenas um papel de crédito privado. “A diversificação é bastante relevante. É importante saber que os riscos mudam”.

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).