Um estudo elaborado pela IDC, consultoria de inteligência de mercado, e pelo Paypal, empresa de pagamentos, observou os hábitos dos cidadãos latino-americanos para fazer transações e solicitar novos serviços financeiros.

A conclusão foi a seguinte: assim como na China, o uso do smartphone está democratizando o acesso aos produtos financeiros no Brasil e na América Latina, e pode ajudar a reduzir a taxa de desbancarizados (pessoas que não estão inseridas no sistema monetário oficial).

Seis em cada dez brasileiros com mais de 18 anos já usam o celular para abrir uma conta no banco, ou para contratar novos serviços (como empréstimos) enquanto a fatia dos que preferem fazer essas mesmas operações na agência do banco já é menor, de 58%. O Brasil está se posicionando na vanguarda desse movimento: em países como a Colômbia e o México, o número de cidadãos que transacionam pelo celular não chega a 40%.

Embora a ida a uma agência seja prioridade na hora de depositar folhas de cheque ou contratar um empréstimo, os ritos mais simples, como pagamento de boletos, são feitos principalmente no smartphone. Isso tem ficado mais fácil, diz a pesquisa, graças ao crescimento dos planos pós-pagos, que permitem que o acesso aos aplicativos ou sites financeiros seja feito a qualquer momento. Quase 4 em cada 10 adultos latino-americanos já têm um plano pós-pago.

“As plataformas digitais e a mobilidade viraram muitas das nossas regras tradicionais de cabeça para baixo. ‘Não pegue carona com estranhos’, ‘Não durma na casa de um estranho’ e ‘Não digite dados pessoais no seu telefone’ quase soam cômicos considerando como essas três atividades são comuns atualmente”, diz a pesquisa.

Como isso ajuda na desbancarização? O estudo observa que o acesso aos serviços financeiros, mesmo pelo celular, ainda é proporcionalmente maior nas classes A, B e C. Mas a disseminação dos aparelhos celulares pode ajudar a mudar esse jogo.

A lógica é simples. Já há mais de um celular por pessoa no Brasil — e cada vez mais, os aparelhos estão chegando a populações desfavorecidas, que moram longe dos centros urbanos. É mais fácil trazer os serviços financeiros para o celular, que já é usado, do que insistir na criação de outra ferramenta, ou construir infraestrutura (bancos, agências) por todo o país.

Foi assim na China, que pulou a etapa dos cartões de crédito e proporcionou, pelo celular, pagamentos instantâneos — como os por QR Code.

“Essa tendência terá um impacto positivo sobre os indicadores socioeconômicos e poderá, até mesmo, ter consequências políticas, já que parcelas da economia que atualmente passam despercebidas e movimentam valores apenas em dinheiro passarão a ser incluídas na economia formal, reduzindo os riscos financeiros e a desigualdade econômica”, diz a pesquisa do IDC com o Paypal.

Questões de segurança: O principal obstáculo para esse movimento é o receio do compartilhamento de dados financeiros pelo celular, observa o estudo. Segundo a pesquisa, os principais motivos apontados por quem não faz transações on-line é a falta de confiança nas instituições digitais, ou a preocupação com o fornecimento de informações confidenciais.

Entretanto, a pesquisa mostrou que, no Brasil, o nível de confiança depositada nas instituições on-line, como os bancos digitais, já é similar à dedicada às varejistas (como Casas Bahia, Magazine Luiza etc). Isso significa que os clientes têm disposição similar para fornecer dados para a contratação de um cartão de crédito de uma varejista, por exemplo, e para contratar um serviço de um banco digital.

De zero a dez, esse nível de confiança, no Brasil, é de 7,4, enquanto nos outros países da América Latina é de 5,8 — mais uma vez, mostrando que estamos à frente na digitalização.

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