O ciclo de baixa da taxa básica de juros, a Selic, trouxe ao mercado de renda variável uma nova leva de investidores em busca da rentabilidade perdida nos investimentos de renda fixa. A Selic caiu de 14,25% ao ano em 2016 para o atual patamar de 4,25%. Muitos dos novos investidores, porém, não estão acostumados ao perde e ganha característicos de produtos dessa esfera e que exige muito controle emocional para não perder dinheiro.

Para que o investidor iniciante não caia em ciladas ou se desespere ao ver seu montante diminuir em poucos minutos, é necessário ter uma preparação psicológica, principalmente para aqueles que optam por investir na Bolsa, segundo especialistas ouvidos pelo 6 Minutos. Isso porque a emoção é sempre mais forte que a razão.

“O investidor iniciante fica ainda mais vulnerável no mercado financeiro pois não tem nem a experiência nem os conhecimentos técnicos tão afinados. Ele tenta se guiar pelo próprio instinto e isso é muito arriscado”, afirma Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em Psicologia Social e que ministra curso sobre psicologia econômica na B3.

Cuidado com o efeito manada

Um dos principais problemas para quem opera em Bolsa é acompanhar o chamado efeito manada, quando o investidor opta por um caminho ao ver diversos outros indo na mesma direção. É bem provável que essa mudança de direção seja tomada tarde demais; isso significa que, em vez de lucro, o investidor vai perder dinheiro. “Vai todo mundo na mesma direção imaginando que os outros sabem de algo que ele mesmo não sabe. Essa é a fantasia dominante no comportamento de manada”, afirma.

“Teu vizinho está ganhando dinheiro. Mas ele só vai contar que ganhou dinheiro, não que perdeu. Quando o cara perde, nem pra cônjuge ele conta. Então a sensação é que todo mundo é vitorioso nisso daí, mas é uma falácia que o comportamento humano gera. É tipo o Facebook, onde só tem gente feliz, mas todo mundo tem os mesmos problemas”, diz George Sales, professor de Finanças do Ibmec SP e especialista em finanças comportamentais .

Analise bem a hora de comprar ou vender ações

A psicologia também é importante na hora de comprar ou vender uma ação na hora certa, não encurtando os lucros antes da hora ou segurando por tempo demais um papel que está caindo.

“Em geral, as pessoas não resistem aos próprios impulsos, que é sempre fugir da dor imediata e buscar o alívio rápido. Assim, eles entram na Bolsa na hora errada e saem na hora errada também”, diz Vera Ferreira.

Busque conhecimento sobre o mercado

Além da preparação psicológica, os especialistas também apontam a necessidade de o investidor entender melhor a empresa na qual ele está colocando o próprio dinheiro. Para isso, é necessário acompanhar o mercado com certa frequência (não a todo momento) e estudar a fundo as companhias que pretende investir, sobre de que maneira elas operam, entender os meandros de cada setor, além das perspectivas para o futuro.

Para George Sales, há um viés de interpretação, geralmente equivocado, que precisa ser combatido pelo investidor que foi à renda variável há pouco tempo.

“Isso diz respeito ao fazer um investimento acreditando que aquela variação é satisfatória ou ficar torcendo que as ações subam, sem técnica nenhuma de análise. Esses comportamentos em relação aos investidores novatos acabam sendo cruciais para algumas perdas”, afirma ele.

E quem não tem nervos para aguentar tanta oscilação?

Aos que, em pouco tempo, já perceberam que não têm estômago para tanto sobe-e-desce, há maneiras de investir na Bolsa sem ter a necessidade de acompanhar o andamento dos papéis.

Os fundos de ações são uma forma de investimento em empresas listadas na Bolsa que contam com gestores profissionais e experientes, que acompanham o dia a dia das empresas e o valor das ações, traçando estratégias para obter um melhor rendimento.

“Uma dica é se utilizar de fundos de investimento, pois os profissionais que estão ali estão com os olhos pregados o dia todo olhando o que comprar e o que vender. Então ele vai tentar fazer as movimentações mais corretas dentro desse tabuleiro. A chance de dar mais certo é muito maior”, afirma George Sales. Dessa forma, a gestão da carteira de ações ocorre de uma maneira passiva ao investidor.

 Técnicas ajudam a acelerar a experiência

A experiência no mercado acionário também faz a diferença no psicológico do investidor. Apesar de, nesses casos, o tempo ser o melhor remédio, aos iniciantes há técnicas que ajudam a acelerar o entendimento de ganhos e perdas dentro da cabeça, segundo Vera Rita de Mello Ferreira.

“Não é muita gente que tem a disciplina de fazer isso, mas eu sugiro um diário de bordo. A pessoa deve anotar tudo o que está sentindo, pensando, o cenário que ela está analisando e a decisão que ela está tomando. Depois de alguns meses, ela pode voltar a ler e analisar, como forma de aprendizado”, conclui ela.

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