Desde que tiveram sua popularidade alavancada, alguns investidores e especialistas apostavam em como as moedas digitais poderiam ser utilizadas como um ativo de segurança em meio a qualquer contratempo no mercado acionário.

A crise causada pelo coronavírus, contudo, fez com que parte dessa estratégia perdesse a referência. Os ativos despencaram junto com boa parte das bolsas globais, deixando de lado a imagem que poderiam substituir o ouro ou o dólar como o ativo mais seguro em épocas de crise.

Durante o mês de março, quando as bolsas do mundo todo despencaram, o bitcoin – a mais famosa das moedas digitais – também chegou a cair 33% em poucos dias, percentual próximo aos -29,9% do Ibovespa, o principal índice de ações do Brasil.

Com a volatilidade em alta, a moeda digital fechou o mês com um tombo de 12,10%. Neste mês, o bitcoin voltou a subir e pequena alta de 1,5%.

Volatilidade em tempos incertos afugenta investidores

Especialistas ouvidos pelo 6 Minutos afirmam que a falta de regulação, aliada à grande volatilidade das moedas digitais, faz com que os investidores não acreditem nesses ativos como reserva de valor.

“O problema é que, se partirmos da premissa da volatilidade, o preço do bitcoin, comparado ao ouro, é muito maior. O ouro é menos volátil e, por isso, tem mais segurança”, disse Johnny Silva Mendes, professor de Economia da FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado).

“As pessoas, em tempos como esse, correm para ativos menos voláteis. O ouro tem uma quantidade limitada e pode ser controlado. Assim é menos volátil e é melhor reserva de valor do que o bitcoin”, afirmou.

O bitcoin também possui quantidade limitada, mas a para Daniel Carrasqueira de Moraes, professor de Finanças do Ibmec-SP, a falta de utilidade do bitcoin ajuda a enfraquecê-lo como porto seguro.

“A sociedade em que vivemos valoriza o ouro. Não há como comparar os ativos. O ouro tem lastro, já a moeda digital não. Essa é grande diferença”, afirmou Moraes. “O que você compra com bitcoin? Se a pessoa quer comprar e vender uma moeda digital, sem problema. Mas não há comparação entre os ativos”, afirmou ele.

Falta de regulação atrapalha

Além da volatilidade, as moedas digitais também não contam com a regulação de nenhum tipo de órgão internacional ou autoridade financeira.

De acordo com o professor do Ibmec, a falta de regulamentação, que para alguns é tido como ponto positivo, é uma das causas de o bitcoin não conseguir se firmar como uma reserva segura.

“Ainda é um mercado não tão transparente como é, às vezes, pregado. Então, acho que esse fator faz com que, naturalmente, as pessoas não se sintam tão seguras em investir no ativo”, disse.

Para Vandyck Silveira, CEO da Trevisan, a não-regulação das moedas digitais por parte dos banco centrais faz com que os investidores, principalmente institucionais, ainda olhem o ativo mais como especulativo do que como uma reserva de valor.

“As moedas digitais não passaram no teste do tempo, da regulamentação. O mercado não regula. O ser humano sabe que existem ciclos econômicos e, neles, a entrada de um banco central como o credor de última instância é fundamental”, disse.

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