O ser humano tem três grandes medos: o de não ser suficiente, o de não ser importante e o de não ser amado. Essas três tensões se encontram em uma quarta, a ansiedade financeira. Ou você ou um conhecido muito próximo já achou que o salário não é suficiente, que fracassou por não ter uma renda maior, que com o atual patrimônio não se chega a lugar algum e que a vida é limitada porque não tem o dinheiro que o colega de trabalho possui – mesmo sem saber quanto ele ganha.

Afinal, por que isso acontece?  Segundo Flávia Ávila, especialista em economia comportamental, parte da ansiedade financeira é fruto de um tipo de comparação bem comum: a chamada prova social. “Vemos o que o outro está fazendo e achamos que deveríamos fazer igual ou estar no mesmo nível”, analisa. O problema é que esse tipo de comparação ganha um peso maior em tempos de redes sociais e excesso de informação. As pessoas estão se sentindo esgotadas, e isso nos leva ao tema da escassez mental, além da financeira.

Por que falar de escassez é importante? O ser humano está exposto às escassezes financeira, mental e cognitiva. Para Flávia , a a escassez cognitiva é a mais comum, apesar de subestimada. “Mas quando cansados ou estressados, tomamos as piores decisões e temos as piores reações. O cérebro entra no modo escassez e reage sob impulso para tirar o problema da frente, sem racionalizar ou entender a situação”, diz, afirmando que esse é um processo natural e ocorre independentemente da inteligência de cada um. Para Flávia, essa escassez cognitiva é a causa de muitas situações de compra por impulso e compulsão alimentar, por exemplo.

E como sair dessa situação? Há dois tipos de ansiedade: a que te motiva a fazer mais e melhor, e a que te anula. A receita para driblar as tensões financeiras, segundo Flávia, é treinar como perceber o momento em que você começa a anular sua trajetória, seu trabalho e posição. A partir daí, a economista sugere três etapas.

  1. Racionalize a ansiedade e coloque em um papel que impressões e fatos te levaram a ter medo de não melhorar a vida financeira. O que os pares no trabalho têm e por que estão melhores que você? E por que você acha que está tão pior que eles?
  2. Faça um esforço para tirar os outros do pedestal. Flávia chama atenção para o efeito das redes sociais, como Instagram a LinkedIn, que expõe muitas pessoas à sensação de que a vida do outro está indo de vento em popa. Enquanto a ansiedades individuais, na maior parte dos casos, não ficam evidentes.
  3. Quando o medo de nunca ter um salário melhor ou não conseguir pagar uma dívida dívida bater, vale se lembrar de assuntos e ações que geram valor e plenitude, como estudar um tema que gosta e ver fotos que te lembrem tempos “gloriosos”. Crie uma estratégia para aplicar mais disso no seu dia a dia e nas suas funções no trabalho.

E depois disso? Tenha em mente que as pessoas acertam e erram, e que o dia a dia equivale a uma maratona de corrida. Em alguns momentos você vai correr muito, ter um bom desempenho, acertar um dívida, conseguir economizar e uma promoção salarial. Em outros, estará cansado, será ultrapassado por maratonistas, não vai poupar, a compra do mercado vai sair mais cara do que você poderia pagar e os planos para o trabalho não darão certo.

Ninguém corre no mesmo ritmo, e balancear a velocidade da corrida para fazer o melhor que estiver ao seu alcance é uma estratégia de cada um. Se precisar, peça ajuda – inclusive para o colega que você acha 100% sucesso. Veja nesta matéria sugestões para você conseguir subir na carreira usando o que você já tem.

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