A entrada em vigor do cadastro positivo levou milhares de brasileiros a se perguntar: como faço para melhorar a minha nota de crédito, também conhecida como score (termo em inglês)? E qual a sua importância?

Para mostrar o caminho das pedras, o 6 Minutos conversou com Daniel Arraes, diretor de desenvolvimento de negócios da FICO para a América Latina. A empresa americana desenvolveu o modelo de score mais utilizado pelas maiores empresas de análise de crédito no mundo, incluindo o Brasil e os Estados Unidos.

Seguem abaixo a explicação sobre como é calculada a nota de crédito e que hábitos financeiros possuem um peso maior para a pontuação de cada consumidor. Mas, primeiramente, vamos dar um pouco de contexto.

O que é a nota ou score de crédito? É uma pontuação que vai de zero a mil e que indica a probabilidade de você, consumidor, pagar as suas contas em dia e de ficar inadimplente. Quanto maior a nota, mais baixos serão os juros que você irá pagar na tomada de crédito, porque você será considerado uma pessoa confiável. E vice-versa: notas mais baixas vão se traduzir em um custo mais alto (via taxas de juros) em seus empréstimos.

Ela já está valendo? Sim. Desde janeiro deste ano, empresas e bancos podem acessar o cadastro. Mas o banco de informações está sendo preenchido de forma gradual. A expectativa é que dados de bancos e financeiras sejam incorporados até o fim do primeiro semestre, e o de empresas de telefonia, até o fim do ano.

Como a nota de crédito é calculada? O modelo da FICO leva em consideração informações divididas em cinco categorias:

  • Histórico de pagamentos
  • Operações de crédito em aberto
  • Histórico de crédito
  • Demanda por crédito
  • Mix de crédito

Vamos explicar o que entra em cada categoria:

Histórico de pagamentos

Essa categoria responde por algo próximo a 30% da pontuação. Avalia informações relacionadas ao cumprimento de prazos de pagamento de contas como a de celular, cartão de crédito, de luz e água, se atrasos são esporádicos ou recorrentes, qual a frequência dos atrasos, se a inadimplência foi recente ou já faz alguns anos etc. Se tiver contas em atraso, dê preferência ao pagamento das que estão em aberto há mais dias do que as recentes.

Operações de crédito em aberto

São dados que ajudam a compor cerca de 30% da nota. Qual o perfil das dívidas contraídas? A análise abrange o tamanho do empréstimo e o valor total, caso a pessoa tenha mais de um em aberto. Qual o custo (ou seja, qual a taxa de juros) e o prazo? Com que velocidade a dívida está crescendo? Qual o valor de crédito que essa pessoa tem à disposição? E quanto ela já fez uso desse valor total que pode tomar emprestado?

Histórico de crédito

Responde por cerca de 20% da nota. Há quanto tempo as operações de crédito tiveram início? O uso de crédito é recorrente ou não? O objetivo neste critério é avaliar até que ponto a pessoa sabe ou não tomar empréstimos de maneira adequada (ou seja, como algo excepcional e honrando os pagamentos em dia ou não).

Mix de crédito

Ajuda com 10% da pontuação. As modalidades de crédito utilizadas pela pessoa são condizentes com sua capacidade de pagamento? Ela evita entrar no cheque especial, por exemplo, que é uma das modalidades mais caras que existem? Ou no rotativo do cartão de crédito? Há um balanceamento adequado entre valores devidos e prazos?

Ou seja, tomar um empréstimo consignado, com juros mais baixos, é (muito) melhor para a nota do que se endividar no cheque especial.

Demanda por crédito

Esse é um item que pode causar surpresa para quem está acostumado a procurar crédito em diferentes instituições financeiras, seja em busca das melhores condições ou simplesmente de algum banco ou financeira que aceite emprestar. Esse hábito financeiro derruba a sua nota, porque sinaliza um certo desespero.

Este último critério também tem um peso aproximado de 10% no cálculo da pontuação de uma pessoa. A medição é feita por meio das consultas que os bancos fazem às empresas de análise de crédito. Tente ser assertivo na sua escolha de banco para tomar dinheiro emprestado, em vez de “atirar para todos os lados”.

Parece muita informação para o brasileiro prestar atenção? Sim, é verdade. Mas Arraes, da FICO, explica por que isso beneficia o consumidor. “O brasileiro só tinha à disposição o cadastro negativo. Ou seja, a única ação possível era pagar as contas em dia, e isso para não ficar com o nome sujo. Com o cadastro positivo, há uma série de possibilidades que influenciam a sua nota e, como consequência, os juros que vai pagar”, afirma.

Ele aponta outra diferença. No cadastro negativo, a decisão de incluir ou não o consumidor — em caso de inadimplência — cabia à empresa de crédito: Serasa Experian, Boa Vista, SPC ou Quod. No cadastro positivo, essa decisão pertence à pessoa física, que se quiser, pode pedir para não fazer parte do sistema.

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