Para fazer uma compra acertada de ações, é preciso ter boas noções sobre como avaliar uma empresa, acesso a dados e informações da companhia em que se está interessado e também uma compreensão mais ampla do mercado em que ela opera. São condições que poucos investidores comuns possuem.

Por isso, as carteiras de ações elaboradas por corretoras podem ser um bom atalho nessa escolha – ainda que suas indicações não sirvam para todo mundo, já que não levam em conta o perfil de cada investidor e o que ele já tem no portfólio.

A partir deste mês, o 6 Minutos vai trazer um apanhado das ações que estão mais presentes nas carteiras destas corretoras. Na estreia, analisamos as recomendações de sete casas: Órama, Toro, Guide, Genial, CM Capital, MyCap e Ativa. E destacamos os papéis que tiveram três ou mais indicações.

Além da Vale, que teve a maior quantidade de recomendações, sobressaiu o setor de serviços financeiros, com dois papéis no top 5 (Itaú Unibanco e BTG Pactual). A Toro enxerga uma recuperação desse setor em relação aos piores momentos da crise, sobretudo dos bancos, ao mesmo tempo em que os papéis ainda negociam em patamares de preço atrativos.

“Além disso, a expectativa é de que o Banco Central permaneça numa postura hawkish ao longo do ano [com um uso mais agressivo da taxa de juros como instrumento de política monetária], e o aumento de juros acaba por beneficiar o setor, pelo aumento do spread bancário”, pondera a corretora, em relatório.

Vale ON (VALE3)

As ações da Vale foram as campeãs de recomendações neste mês, presentes em 4 das 7 carteiras analisadas pelo 6 Minutos. A Órama prevê que a retomada das economias globais resultará em um novo superciclo de commodities, principalmente o minério de ferro, demandado não só na China como nas economias desenvolvidas que estão investindo pesado em infraestrutura. Isso aumenta os preços e beneficia as mineradoras em geral.

“Como a Vale possui algumas plantas que estão paradas, mesmo que a demanda por minério aumente, ela poderá honrar os pedidos sem grandes problemas. Seu robusto pagamento de dividendos semestrais é um grande atrativo e uma forma de balancear nossa carteira de investimentos com uma empresa bastante sólida”, escreve a corretora.

Além da forte valorização do minério de ferro, a Guide destaca que a Vale tem passado por melhorias operacionais, com forte redução do custo caixa, e possui diversificação geográfica no Brasil bem verticalizada, com capacidade de transporte e remessa própria. “Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada com desconto em relação aos pares australianos”, argumenta.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú Unibanco é o maior banco privado no Brasil em termos de carteira de crédito, além de possuir negócios no exterior. Neste ano, vem garantindo bons resultados em virtude de sua maior participação na frente digital, além de um aumento na receita com tarifas, boa gestão de ativos e também do momento favorável do mercado de capitais.

“Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor”, escreve a Guide.

A Ativa destaca que a boa qualidade da carteira de crédito é um diferencial do banco e o ajudará a atravessar a pandemia sem a necessidade de provisões adicionais.

“A estratégia ‘phygital’ e omnichannel do banco, que visa atender o cliente onde, quando e da forma que ele quiser, irá preparar o Itaú para o aumento da competitividade com as fintechs, trazendo os investimentos em tecnologia necessários, mas sem perder os importantes diferenciais que o atendimento presencial possui, como o forte relacionamento com seus clientes e uma gama completa de produtos e serviços”, afirma.

A concorrência com fintechs e bancos digitais é apenas um dos desafios do setor. Também estão no horizonte o open banking, que forçará os bancos a disponibilizar dados solicitados pelo cliente, o que pode afetar uma das principais barreiras de entrada; a alta da CSLL de 20% para 25%, aprovada em julho; e a chegada do Pix, que reduzirá as receitas com tarifas sobre transações.

PetroRio (PRIO3)

“O modelo de negócios da PetroRio, que inclui aquisição e revitalização de campos maduros, sem exposição a riscos de exploração, é um bom investimento para exposição direta ao petróleo e com potencial de expansão”, escreve a Toro.

A empresa tem conseguido boas sinergias por meio de diversas combinações de negócios, que vão de fusões a novas aquisições. “O anúncio da compra da embarcação OSX-3, juntamente com a aquisição de 80% no Campo Tubarão Martelo, deve chamar a atenção do mercado para as ações da PRIO3. As duas transações irão permitir a integração entre os campos de Polvo, já operado pela PetroRio, e Tubarão Martelo, uma vez que trata-se da primeira iniciativa de uma empresa privada no país para a otimização de campos maduros”, prossegue a Toro.

A MyCap também recomenda as ações da empresa como forma de manter exposição ao setor de petróleo e gás, mas sem incorrer nos riscos de interferência governamental que a Petrobras sofre.

“A companhia apresentou positivos resultados subsequentes e possui elevado caixa, que possibilitam investimentos em melhorias das operações e novas aquisições. A conexão (tieback) entre os campos de Polvo e Tubarão Martelo é um dos passos mais importantes do seu plano de revitalização dos ativos e irá gerar uma redução de custos de US$ 50 milhões por ano, com custo de extração abaixo de US$ 12 por barril”.

BTG Pactual (BPAC11)

Vem se consolidando como uma plataforma completa de produtos e serviços financeiros, capaz de atender diversas linhas de negócios e diferentes classes, desde a pessoa física até os correntistas mais sofisticados – atributo valorizado tanto pela Órama como pela Toro.

“O crescimento da adesão de novos clientes à plataforma BTG+ e o nível de adaptação do banco às possíveis mudanças de mercado reforçam ainda mais a nossa tese de compra do ativo”, escreve a Toro. “Um ponto importante da companhia é a estratégia de aumentar sua participação no Banco Pan, fazendo crescer sua exposição à classe média, enquanto o BTG foca nas classes A e B. Esse movimento deve trazer resultados significativos nos números da companhia.”

A Órama frisa que o aumento nas taxas de juros resulta em maiores spreads cobrados nas operações de intermediação e propicia ao banco uma ampla gama de possibilidades de estruturação e prestação de serviços. “Os grandes ativos do BTG são a excelência do seu time e sua capacidade de entrega. Suas operações tiveram um notável crescimento em 2020, com especial atenção para os serviços de wealth management, que geram importantes sinergias e receitas para a companhia.”

Weg (WEGE3)

O papel da Weg costuma ser muito lembrado em tempos de crise e visto como uma espécie de ação defensiva. Faz sentido: uma empresa com escopo de produção versátil, que ataca em tantas frentes ao mesmo tempo, tem facilidade de se adaptar a cenários diversos.

“A companhia de equipamentos eletrônicos industriais tem foco em bens de capital, com soluções em máquinas elétricas, automação e tintas, atendendo a uma ampla gama de segmentos, como infraestrutura, siderurgia, papel e celulose, petróleo e gás e mineração”, escreve a MyCap. “Além disso, desenvolve soluções para atender as necessidades voltadas a eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica.”

Outro trunfo apontado pela MyCap é a diversidade geográfica: a Weg possui operações industriais em 12 países e presença comercial em mais de 135 mercados, o que não só eleva sua atratividade, mas também dilui riscos específicos regionais e de câmbio.

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