A Caixa oferece a partir deste mês uma modalidade de financiamento imobiliário que prevê a correção pelo rendimento da poupança, com uma taxa de juros que começa em 4,75% ao ano. É a  quarta alternativa de crédito habitacional no mercado, somando-se a linhas corrigidas pela TR (taxa referencial), pelo IPCA e por uma taxa fixa.

A taxa é bem menor do que a média do mercado, que atualmente é de 7% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Mas será que vale a pena? Analistas especializados ouvidos pelo 6 Minutos alertam que a contratação dessa modalidade deve ser feita somente por aqueles que preveem quitar ou amortizar o financiamento no curtíssimo prazo. Entenda abaixo a razão.

Como funciona essa modalidade? No caso da Caixa, a linha prevê o pagamento de uma taxa que varia entre 3,35% e 3,99%, dependendo do relacionamento do cliente com o banco, mais o rendimento da poupança (que é 70% da taxa Selic).

Como os juros básicos estão em 2% ao ano atualmente, essa correção seria de 1,40%, o que faz a taxa efetiva atual variar entre 4,75% e 5,39%. Isso pode mudar caso os juros aumentem –nesse caso, há um teto para os juros dessa modalidade, de 10,16% ao ano.

Mas todas as projeções apontam que a taxa básica de juros vai ser elevada pelo Banco Central nos próximos meses, o que automaticamente eleva também o rendimento da poupança e, portanto, da taxa a ser paga no financiamento.

Se a autoridade monetária subir a Selic para 4% no final do ano, como é esperado pela maioria dos analistas de mercado, esses juros do crédito poupança já aumentam para entre 6,15% e 6,80% ao ano, patamar próximo ao cobrado atualmente pela linha tradicional de crédito imobiliário, aquela corrigida pela TR e que representa um risco bem menor ao investidor.

“O cliente precisa conhecer o risco de a taxa de juros subir e carregar junto o custo do financiamento, e estar disposto a correr esse risco”, aponta Bruno Gama, CEO da fintech especializada no mercado imobiliário Credihome. “No curto prazo, a condição é melhor, mas pode mudar no médio e longo prazo”.

Os financiamentos imobiliários brasileiros têm um prazo médio de 29 anos, segundo o Banco Central. Se você realmente vai levar esse tempo todo para pagar o empréstimo, sem grandes amortizações no meio do caminho, tem que confiar que os juros se manterão baixos e estáveis por décadas.

“Para quem vai levar muitos anos para pagar, a taxa corrigida pela TR é a melhor escolha, até porque estamos neste momento com os menores juros da história”, diz ele.

Qual o risco do crédito poupança em relação ao crédito imobiliário atrelado ao IPCA? Da mesma forma que o crédito poupança, o crédito atrelado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é considerado arriscado para os financiamentos de longuíssimo prazo.

Isso porque o tomador está tomando o risco de, em algum momento das próximas décadas, a inflação disparar e levar junto o custo do crédito habitacional. Esse cenário não está tão distante quanto parece. Em 2015, por exemplo, a inflação superou 10% no ano.

O crédito poupança, entretanto, é considerado menos arriscado pelo fato de ter uma trava de 10,16%.

Além disso, como lembra Gama, da Credihome, demora mais para os juros subirem do que para a inflação aumentar. “A alta dos juros costuma ser mais suave do que o aumento da inflação”, aponta.

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