Quem nunca ligou para a operadora de cartão de crédito ou TV paga ameaçando cancelar o contrato se a empresa não concedesse um desconto no serviço? Acredite, chorar costuma dar certo se você é um cliente que costuma pagar as contas em dia. Mas existem outras formas de reduzir o valor dos boletos. Veja algumas dicas abaixo.

Dica de ouro: saiba quanto você consome

Esse conselho se aplica a quase tudo que você costuma contratar, seja TV a cabo, internet, telefone e até mesmo taxa de manutenção da conta corrente ou anuidade do cartão de crédito. Hilma Araújo, especialista em defesa do consumidor do Procon-SP, diz que o cliente deve saber quanto consome dos serviços que paga para se empoderar e poder negociar.

“A empresa de TV paga oferece milhares de canais, mostra que é mais vantajoso pegar o pacote com mais serviços do que os mais básicos. Mas por que ter o pacote com 200 canais se no final ele precisa mesmo é de 10 ou 15? O consumidor tem que pegar o pacote mais adequado para sua realidade”, diz Hilma.

Não pague taxa de manutenção de conta bancária. Tenha uma conta de serviços essenciais

A aplicação da primeira dica é fundamental para identificar se você precisa mesmo continuar pagando a tarifa de manutenção de conta que o banco cobra todo mês. Para saber, pergunte-se quantos saques, transferências, depósitos e cheques utiliza por mês. O Banco Central determina que todos os bancos ofereçam uma conta de serviços essenciais isenta de tarifas. A conta essencial dá direito a cartão de débito, quatro saques, duas transferências para contas da mesma instituição, dois extratos e 10 folhas de cheques por mês.

“Por que pagar um pacote que dá direito a 10 saques por mês se a pessoa faz apenas três? Antes de mais nada é preciso saber o que está incluído no pacote que está pagando. Dependendo do valor do pacote, sai mais em conta ter a conta essencial e pagar por serviços que utiliza de forma ocasional, como TED”, afirma Hilma.

Ligue para a administradora do cartão de crédito e negocie o valor da anuidade

Com exceção de alguns produtos, a maioria das administradoras de cartão cobra taxa de anuidade de seus clientes. Se o consumidor não ligar para reclamar do valor, a taxa é diluída mensalmente na sua fatura. Mas vários clientes descobriram que dá certo ligar para a administradora e pedir desconto. Dependendo de seu perfil de pagamento (gasta muito e paga em dia), ele consegue até isenção da anuidade. A pergunta que fica: se dá para dar desconto, por que obrigar o consumidor a “chorar” por isso?

Hilma dá até outro argumento para conseguir condições melhores de negociação. “Tenta negociar. E se não conseguir muda de banco. Hoje em dia tem muita empresa no mercado, procure a que te oferece as melhores condições”, afirma a especialista do Procon.

O que os bancos dizem sobre a anuidade

O 6 Minutos procurou os 5 maiores bancos do país, mas apenas Itaú e Caixa responderam sobre a política de descontos da anuidade do cartão.

O Itaú informou que “as possibilidades variam de acordo com o cartão usado pelo cliente e média mensal de gastos”. “No caso do Credicard Zero, o cliente não paga anuidade e conta com plano de benefícios gratuito, além de experiência totalmente digital.”

Já a Caixa disse que possui uma “estratégia de comercialização de cartões de crédito com isenção de anuidade para públicos específicos visando à fidelização destes clientes”. “Para prospecção de novos clientes, é concedido desconto de 50% da primeira anuidade para os titulares dos cartões Elo, Mastercard e Visa, além de isenção das três primeiras anuidades dos respectivos cartões adicionais contratados juntamente com o titular.”

Pacote de dados: você precisa de tudo isso mesmo?

A estratégia da “choradinha” até funciona, mas muitas empresas atrelam o novo valor reduzido a um período de fidelização de 12 meses. Ou seja, ele consegue o desconto, mas não pode mudar de empresa por um ano. Por isso é melhor pesquisar na operadora atual e na concorrência os valores cobrados antes de se “amarrar” por 12 meses a uma empresa.

“A dica é a mesma: saiba quanto você usa de internet. Se consome apenas 5 GB, não precisa de um pacote de 10 GB por mês”, afirma Hilma.

Último conselho: tome as rédeas de seus gastos

Hilma diz que o consumidor tem que tomar o controle dos seus gastos. Como? “Faça anotações e descubra para onde está indo seu dinheiro. Não importa como você faz isso, pode ser um caderninho, no Excel ou por aplicativo, mas o importante é controlar. Essa simples anotação muda a relação com o consumo”, diz a especialista do Procon.

O que não pode acontecer, segundo ela, é o consumidor ser pego de surpresa quando os boletos começarem a chegar.

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