A nova cota de US$ 1 mil para as compras em free shops entra em vigor no primeiro dia de 2020. O ministro da Economia, Paulo Guedes, assinou a portaria, que foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (dia 15).

O que você precisa saber: A cota de compras feitas por cada passageiro nas lojas francas (sem impostos) vai passar dos atuais US$ 500 para US$ 1 mil.

Qual o contexto? A ampliação estava sendo discutida desde o ano passado. Uma das motivações é adaptar os preços, em dólares, à inflação americana — naturalmente os produtos ficam mais caros ao longo do tempo. Na prática, a inflação “comia” uma parte da cota, que, agora ampliada, ficará “corrigida”, avaliam entidades do setor.

E como usar isso a seu favor? Não é porque pode gastar mais que você deve gastar tudo. O 6 Minutos preparou algumas dicas para ajudar você a aproveitar a cota ampliada sem se deixar levar pelo impulso.

Não há uma receita exata: a compra consciente exige alguns métodos de raciocínio. Um ponto importante: as lojas francas são um território em que fazer a conversão do preço de dólar para real é recomendável.

Nem sempre as compras no free shop compensam; esteja atento aos preços cobrados

Cheque se o produto desejado é vendido no Brasil e compare o preço no free shop com o da loja em que o item está disponível do lado de cá da alfândega.

Por exemplo: se uma maquiagem custa US$ 40 no free shop e o dólar está R$ 4,00, o produto sai por R$ 160 + 6,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) — ou seja, sai por R$ 170,20, na prática. Se no mercado comum, em cidades brasileiras, o item custa R$ 160, não vale a pena gastar sua cota comprando o produto.

Mas se a diferença for de R$ 70 a menos no free shop, por exemplo, a compra é uma boa decisão.

Itens de uso recorrente mais baratos valem a pena. Sim, porque significa uma economia cotidiana. Se há uma festa no radar e uma caixa com seis garrafas de Absolut sai por 30% a menos do que você gastaria no supermercado, aproveite.

Mas uma garrafa de whiskey com preço 10% mais baixo no free shop do que no supermercado não é digna de ocupar parte da sua cota, especialmente se você nem liga tanto para bebida.

Vestuário no free shop é cilada. Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores, lembra que comprar roupas, relógio e óculos nem sempre é a melhor pedida, uma vez que no free shop o usual é que haja poucas peças, coleção que não a atual e valores similares aos das lojas físicas de outros países.

Saiba como fazer boas compras no free shop
Crédito: Shutterstock

Há novidades no jeito de comprar. Nos últimos dois anos, a principal rede de free shops no país, a Duty Free, aprimorou os serviços e as opções para os clientes, de olho na demanda crescente. Hoje a marca tem um programa de fidelidade, permite compra antecipada (reserva) e cobre ofertas de qualquer Duty Free ao redor do mundo desde que o produto seja idêntico e o consumidor comprove isso — vale uma foto, apenas.

“Clique e retire” chegou ao free shop. Ana Paula sugere a compra antecipada, que funciona nos moldes do “clique e retire” dos supermercados: o cliente escolhe os produtos no comércio eletrônico e busca o produto na loja física. Isso por si só exige um planejamento do que vai ser comprado e reduz o risco de compra por impulso.

Depois de selecionar os itens, o sistema pede a escolha de onde será a retirada da compra, se será no embarque ou desembarque, a data da viagem, o aeroporto e a companhia aérea. A reserva pode ser feita por telefone.

Aproveite o parcelamento do cartão. Embora o free shop no Brasil seja um ambiente internacional — cobra-se IOF do cartão, os funcionários falam português e já é permitido parcelar o pagamento. Use isso a seu favor.

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