É comum que o investidor se empolgue com um determinado fundo de investimento, coloque dinheiro nele e alguns meses depois, após não ver o resultado esperado, parta para outro, que parece mais atraente naquele momento.

Essa rotatividade, que acontece principalmente em fundos multimercados e de ações, acaba se acentuando ainda mais em tempos em que os juros baixos vêm levando muita gente a diversificar suas aplicações. Além disso, é fato que as informações financeiras vêm circulando com rapidez impressionante.

Pois essa prática, se exagerada, é prejudicial ao seu patrimônio e deve ser evitada, segundo analistas ouvidos pelo 6 Minutos. O ideal é que o processo de escolha de fundos para compor seu portfólio seja cuidadoso, e que o investidor dê tempo para que as apostas dos gestores se concretizem ao longo do tempo.

“Há uma brincadeira de que muitos investidores parecem que estão fazendo trade com cotas de fundos. E isso não faz sentido”, aponta Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research. “Tanto pela tributação, já que toda vez que você tira seu dinheiro é cobrado o Imposto de Renda sobre a valorização do fundo, como pelo fato de que aplicar em um fundo de ação, por exemplo, é uma aposta para o médio ou longo prazo”.

Médio e longo prazo

Lucas Taxweiler, analista de investimentos da Magnetis, avalia que esse erro tem base em uma visão errada que muitos pequenos investidores têm do que é um fundo. “Tem pessoas que tem essa visão de comprar fundos como se fossem produtos, como se fosse um título público ou uma ação”.

Ele lembra que uma boa gestora de fundos tem processos bem estruturados para escolher uma estratégia de aplicação de recursos. Em geral, as carteiras são montadas se olhando anos à frente.

“Quando um investidor investe num fundo o que ele está comprando, no final do dia, é a cabeça do gestor, são as decisões daquele gestor. E as posições que aquele gestor tem no fundo vão começar a dar retorno daqui a 24 meses. O investidor não vai entrar hoje e ter bons resultados de forma imediata”, aponta.

Ele afirma que é comum que investidores entrem atrás de uma rentabilidade que aconteceu nos últimos meses. “O investidor que entra num fundo com uma cabeça de produto, de ativo, vai sempre correr atrás de rentabilidade. Se investir em um gestor e não deu resultado em seis meses, ele vai lá e troca, porque ele viu que na plataforma que tem outro fundo rendendo mais. Ele vai lá, resgata e aloca no outro fundo”.

O risco dessa estratégia, segundo ele, é que o novo fundo passe a atravessar um período ruim. Nesse cenário, a estratégia será reformulada e voltará a dar retorno somente no médio ou longo prazo. “Esse gestor que rendeu mais vai começar a render menos, porque as posições que deram rentabilidade foram montadas há anos. Quando o investidor entra, a festa está no final”.

Antecipação do pagamento do IR

Outro ponto destacado pelos analistas é que o investidor que gira muito os recursos alocados em fundos acabam antecipando o pagamento de Imposto de Renda. Os fundos de ações, por exemplo, possuem uma alíquota fixa, de 15%.

“Ao invés de deixar o dinheiro rendendo ao longo de um período longo, ele vai retirando e pagando imposto sobre a rentabilidade”, afirma Mosmann, da Suno.  “O cotista que fica girando muito seu dinheiro entre fundos está antecipando agora um pagamento de IR que não aconteceria se ele não saísse”, reforça Taxweiller. “É como se fosse um come-cotas, que antecipa o Imposto de Renda”.

No caso dos fundos de renda fixa, esse raciocínio se aplica ainda mais, já que a alíquota de IR começa em 22,5% e vai se reduzindo ao longo do tempo até 15%. É importante lembrar, entretanto, que essas aplicações têm caráter de reserva de emergência, e em geral as considerações do investidor na hora de retirar seus recursos são distintas.

E como escolher um bom fundo?

Além de conhecer bem a gestora e entender como se remunera (como funcionam as taxas de administração e de performance, por exemplo), olhar o retorno dos últimos anos pode dar uma boa indicação do desempenho do fundo.

“É muito importante avaliar a rentabilidade passada. Quanto? De 6 meses? Não. De 12 meses? Não, isso não quer dizer nada. Tem que olhar a rentabilidade pelo menos acima de 36 meses, acima de três anos”, explica Taxweiler.

Mosmann, da Suno, lembra que o investidor que aplica em fundos geralmente o faz para delegar o trabalho de aplicar seu dinheiro. “Por isso é interessante que as pessoas dediquem bastante tempo à escolha do fundo, o retorno, a estrutura de remuneração, o histórico dos gestores. Isso é fundamental na hora de escolher um produto financeiro”, avalia.

 

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