O momento de elevada incerteza com o avanço do coronavírus levou a uma disparada, nas últimas semanas, na busca por um refúgio representado por um investimento conservador: o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que é um título de renda fixa emitido pelos bancos.

A aplicação funciona como um empréstimo para as instituições financeiras, que remuneram os investidores com juros.

Dados da B3 mostram que o estoque desses certificados (ou seja, a soma desses títulos) cresceu R$ 67,5 bilhões apenas entre os dias 2 e 24 de março, levando o volume total para perto de R$ 1 trilhão (R$ 973,9 bilhões).

Para se ter uma ideia da intensidade desse movimento, essa alta representa quase 90% do crescimento do estoque desses títulos no ano passado inteiro (R$ 76,9 bilhões de incremento).

Por que essa aplicação teve uma alta tão forte na procura neste mês? A forte instabilidade trazida pela pandemia de coronavírus aos mercados –somente em março, a bolsa já caiu 33%– estimula a procura por investimentos de renda fixa, mais conservadores.

Dados levantados pelo portal de comparação de serviços financeiros Yubb mostram que a busca de clientes por CDBs cresceu 114% na comparação com fevereiro, 239% em relação a janeiro e 247,84% na comparação com dezembro.

“Até fevereiro, as pessoas ainda estavam muito a fim de investimentos mais arrojados por causa da Selic [taxa básica de juros] baixa. Com o coronavírus e a crise do petróleo, todas as bolsas passaram a operar em forte queda, e as pessoas começaram a se preocupar mais em colocar dinheiro na renda fixa”, explica Débora Duarte, líder de conteúdo do Yubb.

Como está a rentabilidade dos CDBs? A rentabilidade de um CDB varia bastante dependendo do tamanho do banco que o emite. Os grandes bancos, considerados mais sólidos, costumam pagar menos aos tomadores, enquanto que os de menor porte pagam mais para atrair investidores.

Dados do Yubb mostram que atualmente, em média, um CDB de banco grande com vencimento em 12 meses possui rentabilidade anual média de 3,48%, abaixo do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a referência das aplicações de renda fixa (hoje em 3,65%).

Já os bancos de pequeno e médio porte estão pagando, em média, 4,31% ao ano, acima do CDI.

Não é mais arriscado comprar um CDB de banco pequeno ou médio? Sim, é mais arriscado, e por isso mesmo os bancos de menor porte remuneram melhor o investidor.

Ao mesmo tempo, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante investimentos em até R$ 250 mil em depósitos ou créditos do investidor. Em geral, o pagamento é feito após entre 30 e 45 dias em caso de falência, intervenção ou liquidação.

Uma boa forma de saber se o banco é sólido é ver o seu índice de Basileia, que é o indicador que mede a solvência de determinada instituição financeira e que é informado por portais de comparação como o Yubb.

Quanto maior esse percentual, mais sólido é o banco. No Brasil, esse índice deve ser de no mínimo 11,5%, para os grandes bancos, e de 10,5%, para os bancos pequenos e médios.

 

 

 

 

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