Apesar de ter sido lançada para fazer frente ao aumento da procura por dinheiro vivo na crise de coronavírus, a nova nota de R$ 200 foi vista por alguns como um sinal da desvalorização da nossa moeda.

Afinal de contas, será que o real, lançado em julho de 1994, perdeu tanto valor assim? A verdade é que a moeda pôs fim ao período de hiperinflação no Brasil, época em que os preços chegavam a subir 80% em um único mês.

Mas isso não quer dizer que a inflação foi embora.

Pesquisamos alguns folhetos promocionais de jornais da época para saber o que seria possível comprar com uma nota de R$ 200.

Apesar de os preços impressionarem, é importante lembrar que o salário mínimo na época era de apenas R$ 64,79 –hoje, é de R$ 1.045.

Carne e cerveja

Com R$ 200, o consumidor conseguia comprar impressionantes 28,5 quilos de filé mignon em julho de 1994 –na época, era possível encontrar o produto a R$ 7 . Com o quilo hoje custando cerca de R$ 80 nos  supermercados, dá para levar apenas 2,5 quilos de filé mignon.

Para beber, que tal 38 caixas de 12 unidades de cerveja? Hoje, você paga cerca de R$ 26 por uma única caixa com 12 unidades. Ou seja, apenas 7,5 caixas.

Veja abaixo folheto da época, que aconselhava o consumidor a comemorar o tetracampeonato com muita carne e cerveja:

Reprodução

 

Óleo de soja

Nas últimas semanas, o aumento de preços voltaram a ser assunto no Brasil por causa da inflação dos alimentos, estimulada pela alta da demanda da China.

O óleo de soja é um dos vilões recentes da alta de preços, com aumento de mais de 30% em algumas capitais. Pois veja quanto ele custava lá no início do Plano Real, quando o supermercado enfatizava que “aqui os seus centavos valiam mais”.

Pois é, com R$ 200 daria para comprar um estoque para longos anos (mais de 250 garrafas!), lembrando que hoje em dia você paga R$ 6 pelo óleo de soja.

Também surpreende o preço do quilo de produtos como laranja e batata (R$ 0,29).

Reprodução

 

Fogão top de linha

Com R$ 200, você conseguiria garantir um fogão Brastemp considerado top de linha na época (hoje em dia, a reportagem encontrou eletrodoméstico similar vendido a cerca de R$ 800).

O que mais subiu, o que mais caiu

A pedido do 6 Minutos, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) levantou quanto os preços dos principais itens de consumo dos brasileiros variou nos últimos 26 anos.

Teve também deflação, de produtos que com o passar dos anos perderam a razão de ser ou foram substituídos, como DVD Player ou máquina fotográfica. Outros ficaram mais baratos com a alta da importação da China (como produtos têxteis).

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