O score de crédito é uma espécie de nota atribuída ao consumidor para atestar seu histórico financeiro e sua capacidade de pagamento. Por ser o indicador que determina o acesso das pessoas ao mercado de crédito, o score é objeto de curiosidade e de desejo — principalmente de quem quer ampliar seu limite do cartão de crédito e cheque especial, ou até pleitear um novo produto financeiro ao banco.

Mas como não faltam soluções fáceis dadas para questões complexas, muitas empresas ludibriam o consumidor prometendo um aumento rápido do score de crédito. Em troca, elas exigem o pagamento de um valor que parte de R$ 100 e vai até R$ 500. A solução lembra aquela velha propaganda conhecida, a do “trago seu amor de volta em 7 dias”, justamente por sua eficácia duvidosa.

“Vemos um número crescente de empresas com promessas milagrosas para aumentar o score dos consumidores, mas isso não funciona assim. O score é um modelo matemático baseado no relacionamento do consumidor com o mercado, e apenas isso”, diz Matheus Moura, gerente de marketing da Serasa.

Pode explicar melhor? Moura explica que, embora as empresas atraiam o consumidor com propagandas que mostram supostos clientes contentes com o serviço, o resultado não é nem um pouco garantido. Ele diz que o processo de melhora no score é gradual, e que depende exclusivamente da organização financeira do consumidor.

Muita gente não sabe, mas não são só as dívidas que contribuem para um score baixo. O consumidor pode não ter dívidas ativas, mas tem, por exemplo, o hábito de atrasar em 2 ou 3 dias o pagamento de contas ou do cartão de crédito. Embora esse atraso não seja considerado uma inadimplência, ele conta para derrubar o score do consumidor.

Outra situação é a do consumidor que não tem dívidas, paga suas contas em dia, mas que tem um relacionamento recente com as instituições financeiras — seja porque começou a trabalhar há pouco tempo, ou porque não usava os serviços bancários antes. Por não ter o histórico completo desse consumidor, os birôs de crédito não conseguem atestar se ele é um bom pagador, e por isso a nota de crédito costuma ser menor.

Então como funciona o serviço de aumentar o score? O que essas empresas fazem, em geral, é tentar atualizar as informações cadastrais, ou até adicionar algum dado extra para melhorar o histórico do consumidor nos birôs de crédito. Como nem sempre há o que ser atualizado, o serviço pode ser enganoso.

“Se não temos informações daquele consumidor, não conseguimos analisar suas capacidade de pagamento. A atualização de dados é uma das ferramentas que ajudam na movimentação de score, e ela pode ser feita pelo próprio consumidor, não é necessário contratar uma empresa”, explica Vivian Moraes, gerente da área jurídica do SPC Brasil.

Ou seja: muita gente está pagando um dinheirão para que as empresas façam uma atualização cadastral simples, que poderia ser feita pelo consumidor nos próprios portais ou aplicativos dos birôs de crédito.

“Quanto mais dados temos, melhor fica o score. Mas é claro que os dados têm que ser bons. Se o consumidor atualizar sua situação cadastral e novas dívidas surgirem, não faz sentido a nota de crédito aumentar”, pondera Moraes, do SPC.

Como posso aumentar meu score de crédito?

Existem formas legítimas e gratuitas de aumentar seu score — os próprios birôs de crédito ensinam o consumidor a melhorar sua nota na praça. As principais dicas são pagar as contas em dia, sem atraso, e não bater na porta de diferentes bancos ou instituições para pedir dinheiro, pois isso sinaliza uma situação financeira em apuros.

“Se você tem um score baixo, algumas boas práticas são as de colocar contas de consumo no seu nome, manter um limite menor no cartão de crédito, não comprometer seu salário além do possível, e evitar ficar pedindo crédito o tempo todo para instituições diferentes”, aconselha Moura, da Serasa.

Ele lembra que os próprios birôs de crédito possuem vasto material em seus sites para orientar o consumidor, e evitar que ele caia em balelas como a do “trago seu score de volta em 7 dias”. Nós resumimos as recomendações em uma matéria (leia aqui).

Pagar dívidas aumenta meu score?

O pagamento de dívidas é a forma mais garantida de aumentar o score. O consumidor pode buscar a renegociação de débitos em aberto por conta própria, ou pode contratar uma consultoria especializada — é importante lembrar que existem custos nesse processo, caso ele opte por receber ajuda. Os próprios birôs de crédito oferecem serviços de renegociação, em parceria com algumas instituições financeiras.

A Serasa, por exemplo, possui o serviço do Score Turbo. O consumidor que estiver inadimplente pode visualizar todas as dívidas em aberto, e saber quanto seu score subiria se pagasse cada um desses débitos. “Cada tipo de dívida tem um peso. Dívidas antigas e dívidas prescritas impactam menos do que dívidas novas, mas elas sempre têm alguma influência sobre o score. Essa informação ajuda o consumidor a priorizar qual dívida ele pagará primeiro”, diz Moraes, da Serasa.

Ele explica que, nesse serviço, o processo de pagamento é mais ágil e o score é impactado mais rapidamente. “Mas isso só vale para quem tem dívidas ativas. Quem tem um score baixo por outras razões deve adotar as boas práticas já mencionadas anteriormente”, diz o diretor da empresa.

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