A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) anunciou nesta quinta-feira (dia 4) que implementará até junho regras para dar mais transparência à remuneração de bancos, corretoras e agentes autônomos que distribuem produtos financeiros.

A ideia é solucionar os conflitos de interesse do mercado. O principal deles é que, muitas vezes, a corretora, banco ou profissional que indicará um ou outro fundo de investimento, por exemplo, é pago pela taxa de administração do próprio fundo, que pode variar bastante. Ou seja, aconselhar um ou outro investimento pode ter uma diferença enorme no ganho, o que coloca em forte risco o preceito de que o interesse do cliente vem em primeiro lugar.

Essa informação de como profissionais e empresas são remunerados deve constar inclusive na lâmina do produto financeiro, que é o documento que reúne as principais informações sobre as aplicações.

“Queremos trazer as informações iniciais com todo tipo de abertura dentro do que entendemos ser viável sobre remuneração”, afirmou José Ramos Rocha Neto, presidente do fórum de distribuição da entidade, que explicou que as regras estão em discussão e que deverão ser implementadas neste primeiro semestre através de autorregulação. “No mundo dos investimentos você não poder dar garantia de rentabilidade. Já colocar na primeira página o que é a taxa de administração e qual o papel do distribuir, qual o conflito, a remuneração, esse é o nosso objetivo”.

Suitability também irá mudar

No segundo semestre, a entidade quer entregar um novo modelo, também de autorregulação, para o chamado “suitability”, que é a definição do perfil de risco desenhado por consultores financeiros para determinar se um cliente é ou não compatível com determinado investimento.

Atualmente, os perfis são mais simples, em geral variando entre conservador, moderado e arrojado.

O novo desenho em estudo, que será submetido à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão federal que regula o mercado de capitais, prevê um detalhamento maior: a ideia é que leve em conta o momento de vida da pessoa, além dos já tradicionais objetivos com o investimento e o conhecimento do funcionamento do mercado.

 

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