A esmagadora maioria dos pequenos investidores que se dedicam ao chamado day trade de ações, que é a compra de papeis de empresas para venda no mesmo dia, perde dinheiro. E não é pouco.

Um estudo feito por pesquisadores da FGV (Fundação Getulio Vargas) com base em dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostra que, em média, aqueles que persistem na prática por pouco mais de um ano perdem R$ 62 por dia.

De 98,7 mil pessoas que começaram a fazer day trade entre 2013 e 2016 no Brasil e operaram até 2018, somente 127 (ou 0,12%) conseguiram obter um lucro bruto diário (ou seja, sem desconto de Imposto de Renda) de mais de R$ 100.

A taxa de desistência da prática é elevada no Brasil. Dessa legião de quase 100 mil pessoas que se arriscaram nessas operações, apenas 554 continuaram a operar após 300 pregões, que foi o período de tempo considerado pelos economistas da FGV.

“Essa elevada desistência demonstra que, se o day trading fosse lucrativo ou relativamente fácil, mais gente teria continuado. Nossa desconfiança é que muita gente desistiu porque perdeu dinheiro”, aponta Fernando Chague, um dos autores do levantamento ao lado de Bruno Giovannetti.

Por que é tão difícil ganhar dinheiro com a prática?

Porque o day trade é uma operação de curtíssimo prazo. Para lucrar, o pequeno investidor precisa adivinhar o que vai acontecer com a ação naquele dia.

De acordo com Chague, isso é muito semelhante a jogar uma moeda para cima.

“O day trading em ações começa e termina no mesmo dia. A pessoa tem que acertar o que vai acontecer no curtíssimo prazo, e isso é muito difícil. Fazer isso de forma consistente, de forma com que isso passe a ser uma profissão, é mais difícil ainda”, alerta o pesquisador.

Ele lembra ainda que, do outro lado, concorrendo com o pequeno, está o investidor institucional, ou seja, os profissionais que estão munidos de muito mais estrutura, experiência e conhecimento.

“Do outro lado você tem gente melhor treinada, equipes de pessoas trabalhando, mais informação, um conhecimento de todo o mercado. É muito difícil superar essa dificuldade”.

Minicontratos

Esse é o segundo estudo feito pelos pesquisadores da FGV sobre o tema. No primeiro, eles exploraram os resultados da prática para minicontratos de dólar e de Ibovespa, que são negociados no mercado futuro da B3 e que são bastante utilizados por traders.

Esse primeiro levantamento mostrou que 97% dos pequenos que se dedicaram a esse tipo de operação por mais de um ano perderam dinheiro. Em meio à quarentena imposta pelo coronavírus e a redução dos juros, o volume de mini dólar negociado na Bolsa triplicou em 2020.

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