A disparada de preços dos alimentos chegou ao cafezinho, bebida que está presente em vários momentos do dia dos brasileiros. A previsão da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) é que o aumento para o consumidor chegue a 40% até o fim de setembro.

“O aumento é o maior registrado há pelo menos 25 anos no país”, afirma Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic.

Pelos repasses já realizados nas gôndolas dos supermercados, esse percentual pode ficar ainda mais salgado. Na segunda-feira, o pacote de 500 g do café 3 Corações era vendido por R$ 14,99 no site de uma rede de supermercados. Há lugares mais baratos? Sim, mas também há outros mais caros.  Em um empório de produtos gourmet, o mesmo café saía por R$ 16,40.

Em janeiro, o preço médio do pacote de 500 g de café no varejo era de R$ 9,19. Considerando os preços da última semana, o aumento de lá para cá foi de 63%, variação que não foi medida ainda pelas pesquisas de inflação. Pelos dados do último IPCA-15, o café moído acumula uma alta de 17,15% nos últimos 12 meses.

Preço do café já esbarra nos R$ 15

 

Afinal, o que está acontecendo com o preço do café? André Braz, coordenador do índice de preços da FGV (Fundação Getúlio Vargas), disse que a lavoura de café foi penalizada por duas questões climáticas: a seca e as geadas.

“A geadas queimaram os cafezais e houve necessidade de fazer poda. E alguns tipos de poda são mais penosas que outras. Moral da história: a produção de café diminuiu. Então, o café segue aumentando de preço refletindo período de seca e geada. Foi uma das culturas mais afetadas”, afirmou Braz.

Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP, disse que ainda não dá para ter uma noção exata dos estragos causados pela geada. “Estava em um momento importante da produção e a geada veio forte em várias regiões produtoras.”

Os estragos vão passar rapidamente? Não dá para saber ainda. Vian diz que a lavoura de café tem características diferentes de outros cultivos, o que indica que a recuperação da produção pode levar mais tempo. “O café tem uma cultura perene, não é temporária. Você planta o café, ele vai se formando e, no período inicial a produção é pequena. Só depois que a produção vai aumentando.”

Segundo ele, a recuperação da produção e consequente oferta do produto depende do nível de estrago que o cafezal sofreu. “Em algumas áreas, pode ser que uma simples poda resolva. Mas pode se que em outras seja necessário replantar o cafezal. Mesmo para podas mais drásticas, o patamar de produção não se recupera até o próximo ano”, disse Vian.

Para piorar, a próxima safra ainda não está garantida. “A safra de 2022 ainda depende da chuva na hora da florada das plantas, que deve ocorrer daqui a dois meses. Se houver a florada no café, o mercado tende a acalmar um pouco. Mas isso depende de uma chuva, e estamos em um período de seca”, diz Inácio, da Abic.

Mas o brasileiro não reduziu o consumo de café na pandemia? A Abic diz que não. Apesar do cenário pandêmico, o consumo de café seguiu seu ritmo de crescimento. O país registrou alta de 1,34% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Tem mais algum fator pesando? Sim. A safra de café está maior e as exportações estão aumentando.

  • Safra: Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra atual não deve ultrapassar 48,8 milhões de sacas de 60 kg de grãos. Se atingida, esta marca representará um resultado 22,6% inferior ao da temporada anterior.
  • Exportações: O dólar alto incentiva a venda para o mercado externo. De janeiro a julho, o Brasil exportou cerca de 25,2 milhões de sacas de café, o que corresponde a um aumento de 11,3% em comparação ao mesmo período de 2020.

(Com Agência Brasil)

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