Quem vai ao supermercado com frequência já viu que os preços das carnes dispararam nos últimos meses. Mas, para além do problema para o bolso do consumidor, as ações de empresas do setor de proteínas podem se beneficiar de tal valorização dos seus produtos?

De acordo com especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, as ações de empresas do setor de proteínas listadas na B3, podem, sim, demonstrar bons resultados apesar do aumento dos preços, graças, principalmente, às exportações e ao aumento do dólar.

“Continuamos otimistas com as empresas do setor”, disse Pedro Galdi, analista da Mirae. As ações de JBS, Marfrig e BRF acumulam valorizações de 36,68%, 24,44% e 11,52%, respectivamente, apenas em 2021. Já os papéis de Minerva tiveram ganho um pouco menor no período: 4,22%.

Por que os preços estão subindo tanto?

Dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, mostram que o preço das carnes subiu, em fevereiro, 1,72% e 29,51% nos últimos doze meses no Brasil.

Apesar da alta generalizada, cada tipo de proteína possui características próprias para a subida dos preços. De acordo com Leonardo Alencar, analista da XP, a carne bovina e de frango sofrem com o aumento no custo da produção, que encarece o produto final no país.

“No caso da carne bovina, o preço do produto subiu, mas o preço do gado também subiu. Então, hoje a indústria bovina brasileira está com margens espremidas e começa a matar a demanda”, disse. “Já no caso do frango, o preço não subiu tanto, mas você teve a alta dos grãos, que afeta muito o custo. Assim, há uma pressão de custos que influencia o mercado de aves e, agora também do boi”, afirmou.

Em relação à carne suína, como é um tipo de proteína menos consumida no Brasil, ela não teve a alta tão percebida pela população. Mas, o aumento da exportação para a China, que ainda não recuperou parte do rebanho atacado pela peste, também pressiona os preços no mercado doméstico.

“A carne suína está mais cara por conta dos eventos da China. O país começou a importar carne suína de maneira muito veloz, então a carne suína teve um ciclo de alta por isso”, afirmou.

Segundo o analista da XP, o mercado deve continuar pressionado neste ano. “Em curto prazo, os produtores de boi devem aumentar um pouco a oferta, já em relação à carne suína e aves, há uma safra boa a vir, o que deve reduzir um pouco as pressões dos custos. O ano de 2021 ainda será de margem espremida. Do lado da demanda, continua positivo para 2021 e 2022”, afirmou.

 Ações do setor devem surfar alta

Mesmo com margens espremidas no setor, os analistas ouvidos pelo 6 Minutos se mostram otimistas com o desempenho das empresas de proteína listadas na Bolsa. De acordo com eles, apesar da alta dos preços no mercado interno e de margens mais apertadas às empresas, a exposição dessas companhias ao mercado internacional ajuda a aumentar as vendas.

“Como todas [as empresas listadas] têm uma exposição relevante à exportação, elas conseguem ter um desempenho melhor do que as que ficam com o mercado local, já que conseguem repassar a alta dos custos lá fora”, disse Leonardo Alencar, da XP.

Dados compilados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia mostram que, até a terceira semana de março, foram exportadas 89 mil toneladas de carne bovina, uma alta de 3% do que a média diária de março do ano passado.

Já o volume de exportação carne de frango subiu 9% no período, ante o março de 2020, enquanto exportação da carne suína teve alta de 53% em volume no período. Até a terceira semana de março, foram exportadas 244 mil toneladas de carne de frango, 9% a mais do que a média diária de março de 2020.

Dólar também ajuda setor

Além da alta nos preços, o Brasil também enfrenta uma valorização do dólar ante o real. Essa alta da moeda norte-americana influencia os preços da carne, já que, segundo especialistas, a alta favorece o preço da arroba e estimula a venda ao exterior em detrimento do mercado brasileiro.

“Empresas como Marfrig e BRF, por exemplo, têm parte do faturamento da América do Norte. Então, como boa parte da receita deles vêm de fora, um aumento no preço da carne e a eventual queda no consumo no Brasil não impactam muito já que o dólar está voando”, disse Marcel Zambello, analista da Necton.

Para Pedro Galdi, da Mirae, o mix de produtos variados, aliados à receita em dólar de boa parte das companhias, deve fazer com que as empresas listadas devam apresentar bons resultados aos acionistas. Além disso, a forte alta já registrada neste ano não deve impactar o bom desempenho dos papéis.

“Continuamos otimistas com as empresas do setor. Minerva e Marfrig divulgaram excelentes resultados no 4T20 e a JBS deve mostrar números muito sólidos”, afirmou. “Mesmo com uma alta relevante neste ano, a perspectiva para curto e médio prazo continua positiva para as ações deste setor”, completou.

 

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